domingo, 10 de junho de 2012

A Capela dos Reis Magos do Palazzo Medici-Riccardi



Hoje vamos falar de uma das capelas privadas mais bonita que existe em Florença: a Capela dos Reis Magos no Palazzo Medici-Riccardi.

O Palazzo Medici-Riccardi foi construído em 1444 a pedido de Cosimo Il Vecchio. O arquiteto foi Michelozzo. Por muitos anos o Palazzo Medici-Riccardi foi a residência da familia mais importe de Florença. Ali viveu Cosimo Il Vecchio e Lorenzo Il Magnifico, o maior mecena do renascimento florentino.

Na metade de 1500 a familia Medici se mudou para o atual Palazzo Vecchio e alguns anos depois, por vontade de Eleonora de Toledo, esposa de Cosimo I, a familia comprou o Palazzo Pitti, a nova residência da familia.

No ano de 1659, Cosimo II vendeu o Palazzo Medici para Francesco Riccardi, daí o atual nome Palazzo Medici-Riccardi.

A Capela dos  Reis Magos

No ano de 1442 o Papa Martino V concedeu a família Medici uma licença que permitia construir uma capela privada, ou seja, fora de uma igreja. E aí com a construção do novo palácio, claro, não poderia faltar a capela. 
Os anjos da scarcella
A capela está localizada no segundo andar do Palazzo Medici-Riccardi e compreende um ambiente com uma planta quadrada a qual se entra através de um pequeno degrau a um ambiente menor, de forma quadrada que chamamos de "scarcella", onde está localizado um pequeno altar e ao lado duas pequenas sacrestias que atualmente não são visitáveis. A pequena scarcella é decorada com anjos e com simbolos dos quatro evangelistas, hoje, depois de diversas obras feitas pela familia Riccardi, restam apenas dois simbolos: a águia de São João e o Anjo de São Mateus.
Agnus Dei
Piero de'Medici, filho de Cosimo Il Vecchio, encomendou a Benozzo Gozzoli a decoração das paredes da capela. O programa iconográfico dos frescos foi sugerido pelo próprio Piero. O protagonista principal do ciclo de fresco é o cortejo dos Reis Magos, tema muito caro para a familia Medici. A narração se inicia fora da capela, mais precisamente na porta que dá acesso ao restante do palazzo (quando se sai da capela). Em cima dessa porta, encontramos um pequeno fresco com a representação do Agnus Dei.

Adoração do Menino Jesus  de Filippo Lippi
A leitura dos frescos inicia com a viagem dos Reis Magos que parte de Jerusalém - provavelmente Benozzo representa como a região do Mugello, cidade natal da familia Medici, que fica aproximadamente 40km de distância de Florença. Podemos reconhecer o Mugello com a representação nos frescos do Palazzo Trebbio, de propriedade da familia e que se encontra no Mugello. Como eu disse antes, a viagem parte de Jerusalém e vai em direção a Belém, onde nasceu o Menino Jesus, e ocupa as três paredes da sala principal. Belém è representada por um grande quadro feito por Filipo Lippi (Maestro de Boticelli) que se encontra dentro da scarcella. O quadro representa o nascimento de Cristo (adoração do Menino Jesus) e atualmente trata-se de uma cópia feita pela botega de Filipo, o quadro original se encontra em um museu em Berlim.

Em cima da porta da pequena sacristia, encontramos um fresco que representa os pastores que esperam o anjo que deve anunciar o nascimento de Cristo. O interessante è que os Reis Magos não chegam até a mangedoura para adorar o Menino Jesus - eles não estão representados na obra. Isso significa, que a função de render homenagem ao nascimento de Cristo, cabe a nós, os espectadores.

Cada um dos Magos ocupa uma parede da sala principal e foram representados de acordo com a tradição: Gaspar é o mais jovem, vestido de branco, Baldazar com vestido verde (homem de pele escura e idade madura) e Melquior vestido de vermelho, (homem mais velho que vai a frente do cortejo). Todos são acompanhados por uma corte onde os personagens são vestidos com a mesma cor de cada Mago. Essas cores não foram escolhidas por acaso, tratam-se das cores que representam as três virtudes teologais: Fé (vermelho), Esperança (verde) e Caridade (branco). Podemos perceber também que a representação dos Magos representam as três idades do homem: juventude, maturidade e o envelhecimento.

A mulher com o lenço azul é Contessina de'Bardi, esposa de Cosimo Il vecchio. O homem com o chapéu vermelho podemos reconhecer Benozzo Gozzoli, que autografou a obra. O personagem com o capuz vermelho trata-se do Papa Pio II.
 Neste nobre desfile, podemos reconhecer diversos retratos de personagens ilustres que viveram nessa época ligados a família Medici, em particular os personagens que participaram do Concilio que foi realizado em Florença no ano de 1439 entre a Igreja do ocidente e a do oriente (ortodoxa) onde o objetivo era reunir as duas igrejas. Esse concilio foi muito importante para a cidade e deixou muitas marcas na arte e na vida de Florença. Foi a própria familia Medici, mais precisamente Cosimo Il Vecchio que intercedeu junto ao Papa para que esse concilio fosse realizado aqui, pois em origem deveria ser realizado em Ferrara.

O cortejo do Mago mais jovem representado com um retrato idealizado de Lorenzo Il Magnifico, acima o Castelo do Trebbio na Região do Mugello.Observem o pagem a frente do Mago que leva o vaso que contem a mirra.
(clique para aumentar)


 Na parede lest, podemos reconhecer Garpar, o mago mais jovem, provavelmente representa um retrato ideliazado de Lorenzo Il Magnifico quando era ainda muito jovem, seguido do seu pai Piero de'Medici e do seu avô Cosimo Il Vecchio, juntamente com Sigismondo Malatesta e Galeazzo Maria Sforza, senhores de Rimini e Milão respectivamente. Logo atrás podemos reconhecer um cortejo de filósofos, entre os quais são representados Marsilio Ficino e Cristoforo Landino, além do auto-retrato do pintor Benozzo Gozzoli.

Sigismondo Malatesta e Galeazzo Maria Sforza (com o chapéu vermelho), senhores de Rimini e Milão
Cosimo Il Vecchio com a mula e seu filho Piero Il Gottoso com o cavalo branco.
Na armadura do cavalo branco de Pietro Il Gottoso podemos ver em detalhe o seu simbolo: os três anéis com três plumas e dentro dos anéis as bolas vermelhas com o fundo dourado que representam o brasão da familia Medici e a frase Per sempre (para sempre). Uma curiosidade: Piero ganhou o apelido de Il Gottoso, porque sofria do mal da gota, doença que o matou. Vejam abaixo:

Detalhe do cavalo de Piero Il Gottoso com o brasão da familia Medici
Na parede sul (foto abaixo), Melquior cavalga numa mula branca, segundo a tradição iconográfica, representa a entrada de Jesus em Jerusalem. O Mago Melquior è representa Giuseppe II, o patriarca de Constantinopolis.
Melquior, o Mago de idade adulta (clique para aumentar)
 Observem a paisagem atrás do Rei Mago: a quantidade de arvores, o voo do falcão, os detalhes e o luxo da roupa do mago e a quantidade de ouro usado na composição do cavalo.

Enfim, o terceiro mago na parede a oeste (foto abaixo), representa o Imperador Giovanni XIII Paleologo di Bisanzio.
O terceiro e o último mago: Melquior (clique para aumentar)
No fundo, podemos ver a cavalcada que continua em direção de Belem. O rapaz de azul, em cima do cavalo, alguns historiadores reconhecem como Giuliano de'Medici, filho de Piero Il Gottoso e irmão de Lorenzo il Magnifico, mas não existe documentação que comprove essa tese.

Nesses afrescos podemos observar e admirar a refinada técnica de execução utilizada por Benozzo. A maior parte da obra foi executada "a fresco", ou seja, a pintura foi feita quando a argamassa era ainda úmida. daí o nome "a fresco". Ainda úmida a argamassa absorve a tinta proporcionando uma maior proteção da obra. O grande problema dessa técnica é que o artista deve ser rápido na execução, pois quando a argamassa seca, ele não pode mais retocá-la. Geralmente o artista define qual será a área a ser trabalhada em um dia e coloca a argamassa somente naquela área.  É claro que algumas partes do fresco foi feita utilizando a técnica "a seco", mas mesmo assim, a gente não percebe a diferença das duas técnicas no conjunto da ópera. Observem como Benozzo foi meticuloso em desenhar as jóias e os vestidos luxuosos dos personagens, os detalhes dos cavalos, as árvores carregadas de frutos, os prados floridos, as plumagens dos pássaros, os animais que naquela época eram considerados exóticos.

O segundo Mago
Nessa obra, o artista utilizou materiais caros e raros: observem a quantidade de ouro, a quantidade da cor azul que foi utilizada nessa obra. Naquela época a cor azul era produzida através de uma pedra preciosa chamada Lápis-lazúli, que era encontrada somente na India, atual Paquistão. Se não me engano a Lápis-lazúli é a pedra oficial dos anéis dos psicologos. Hoje essa pedra se encontra também no Chile. Imaginem como todo esse ouro brilhava  de noite com as luzes das velas? Lembrnado que naquele tempo não existia a luz elétrica.
O Mago jovem

O terceiro mago - Observem o detalhe do tronco de arvore que seve de "ponte" para a passagem do cortejo

Detalhe: Animal exótico - Esse tipo de animal foi visto pela primeira vez em Florença com o Concilio de 1439. Os diversos personagens do oriente que participaram do consilio trouxeram diversos animais que até então era desconhecido.
Detalhe: lago com diversas aves
Detalhe: a cavalgada em direção a Belem


A Capela dos Magos se encontra no seguinte endereço:
Via Camillo Cavour, 3  50129 Firenze, Itália


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