domingo, 9 de outubro de 2011

Vayont: uma tragédia anunciada


Este post é um tributo a todas as vítimas, sobreviventes e aos familiares da tragédia do Vajont.

Muito mais que um desejo é uma oração: Meu Deus, que a obra humana, nunca mais volte a ser motivo de dor e luto neste mundo. Amém!

Quando criei o Noticias da Bota, eu não tinha a intenção de falar de coisas tristes, eu queria compartilhar com vocês só alegria e momentos felizes vividos aqui na Velha Bota. Mas como o tema principal do blog è a Italia, eu não poderia deixar passar em branco uma data tão importante na história italiana. Não poderia deixar de homenagear todas as vítimas, que por sinal não foram poucas, dessa grande tragédia. Não poderia não escrever todas as emoções que senti ao visitar o local da tragédia.  Muitos jovens italianos  desconhecem o que aconteceu na noite de 09 de outubro de 1963, desconhecem ainda os motivos e como essa tragédia foi anunciada durante os anos de construção da represa.

A Diga del Vayont
Esta noite ás 22:39h, há exatamente 48 anos atrás, foi o momento no qual os engenheiros e geólogos da SADE (Società Adriatica di Elettricità) se deram conta que a grande obra feita por eles, a Diga del Vajont  (diga, traduzindo para o português: represa), a maior do mundo, seria a protagonista de uma das maiores tragédias ambientais vividas no nosso planeta. Naquele momento, uma grande massa de terra e pedra, ou seja, cerca de 270 milhões de m3 de rocha desmorou no lago artificial criado pela diga del Vajont, criando uma onda de mais de 200 metros de altura, destruindo diversos vilarejos e cidades, matando duas mil pessoas.

Mas afinal, o que aconteceu realmente? Será que niguém poderia ter feito nada para evitar tal tragédia? Essas são as respostas que pretendo responder com esse post.

A necessidade de produzir energia elétrica

No final da segunda grande guerra, devido a carência de matéria prima no território, a Italia não conseguia produzir energia elétrica suficiente para o consumo do pais. O que fazer para produzir energia elétrica sem carbono e sem petróleo? Nem tudo está perdido caros amigos, no norte do pais temos grandes vales e cadeias de montanhas! E assim, a Italia se especializou em uma política energética de “energia renovável”, usufruindo assim os diversos vales e cursos d’àgua de montanhas, construindo diversas turbinas elétricas que produziam a maior parte da energia elétrica fundamental para o crescimento industrial do país.

Do projeto a construção da represa

A Diga del Vajont era a maior construção hidroelétrica da época em toda a Europa. Possuia 261,60m de altura, 130 metros de largura. Vajont em lingua latina significa “va giù” em italiano e traduzindo para o português seria mais ou menos algo próximo a “vai abaixo, que cai…” Monte Toc que è a famosa montanha que desmoronou, significa em italiano pezzo pericolante, ou seja, pedaço que causa perigo.

A idéia de construir uma represa no Valle del Vayont foi da Società Idroelettrica Veneta que mais tarde foi absorvida pela SADE (Società Adriatica di Elettricità). Em 1929 o engenheiro Carlo Semenza, juntamente com o geólogo Giorgio dal Piaz, fez a primeira visita no Valle del Vajont e em 1940 o projeto estava pronto. Em 1943, aproveitando a queda do fascismo e o caos político do país, a SADE conseguiu uma aprovação de maneira ilegal do projeto: apenas 13 dos 34 membros componentes da Quarta Sezione del Consiglio Superiori dei Lavori Pubblici participaram da votação. Entre os anos de 1948 e 1955, os terrenos interessados para a construção do lago artificial foram expropriados. E finalmente, em  Janeiro de 1957 foi aberto o primeiro canteiro de obras. Começou assim, o nascimento da grande Diga del Vajont, a represa do horror. A construção da represa foi feita em tempo record, e no ano de 1959 os trabalhos foram finalizados. Hoje em dia, para reformar um pedaço de auto estrada aqui na Italia, è necessario anos, mas naquele tempo, eles construiram a maior represa do mundo em apenas dois anos.

Em 1957 foi chamado o famoso geólogo austríaco  Leopold Müller para consultar o problema da estabilidade da montanha, mas nesse primeiro estudo, não foi revelado a “paleofrana” que mais tarde foi determinante para o desastre. Enfim, o que Muller descobriu è que a reserva hídrica poderia causar um desmoronamento, mas não sabiam ainda, que no Monte Toc, já havia uma “frana pré-histórica, que poderia desmoronar, hoje, amanhã, ou daqui há 10.000 anos e que a reserva d’água só iria adiantar o desmoronamento da montanha. Dal Piaz, entretanto, anos depois, ainda afirmava que não existia riscos de desmoronamento perigoso na área.

Em 1959 aconteceu algo que congelou a atmosfera de otimismo na construção da represa: em 22 de Março, domingo de páscoa, no lado oposto do Vajont, aproximadamente ha 10km de distancia, na localidade de Pontesei, um desmoronamento precipitou na bacia artificial de Pontesei (essa também era uma obra da SADE e do engenheiro Carlo Samenza), provocando uma onda não muito alta, mas que matou o guardião da represa. O seu corpo nunca foi localizado. Será esse o primeiro sinal de uma tragédia que aos poucos foi se anunciando?

Hoje: a represa e parte do monte que desabou



Somente em 1959, o geólogo Edoardo Semenza, filho do engenheiro responsável pelo projeto Carlo Semenza, descobriu no Monte Toc um evidente perigo em uma zona não segmentada: enfim, a paleofrana foi descoberta! Em estudos posteriores o geólogo Pietro Caloi, afirmou que tal zona era feita de rocha sólida e que somente 10-20 metros de detritos eram soltos. Ignorante Pietro Caloi!

Muller, então, voltou a estudar o projeto, temendo que desmoranamentos pudessem ocorrer. Ele não era contrário a construção da represa, mas temia um desmoronamento incontrolável, tanto que sugeriu várias remediações, entre os quais,  provocar o desmoronamento e construir um tunel por baixo a fim de unir os dois lagos. Mas isso seria muito custoso. A gente nem tem certeza se a tal  (como se chama mesmo?) paleofrana existe de verdade. E o pior, pode ser que ela nem caía…

Em maio de 1960 Edoardo Semenza entregou uma relação dos estudos feitos e confirmou a existência da  grande frana, e em julho do mesmo ano, Dal Piaz, entregou o resultado de novos estudos, o qual negava tal existência. Em qual dos dois os nossos engenheiros deram créditos? Bem, se pensarmos nos milhões que foram gastos para a construção da obra, e nas cifras que podemos faturar quando a diga estiver em pleno funcionamento, é claro que é mais cômodo aceitar os estudos que negam a existência da frana.
O Monte Toc hoje: Acima se vê claramente as marcas depois do desabamento. Abaixo: o monte de terra que se formou depois do desabamento.
Enquanto isso, paralelamente aos estudos dos geólogos, a obra seguia o seu curso e a represa em 1959 ficou pronta. Faltavam ainda as provas de invaso, ou seja, encher o lago e ver se a represa funcionava.  E na primeira prova de invaso, em 04 de novembro de 1960, um primeiro desmoramento aconteceu:  uma “frana” de média dimensão com 800.000 m3 de rocha e terra caiu no lago artificial. O desmoronamento criou uma onda de dois metros que se transformou em 20 metros quando bateu no muro da represa. Foi uma réplica do aconteceu no ano precedente na diga de Pontesei. Esse foi o segundo sinal que a natureza nos enviou e assim nasceu o proverbio: “non bagnare i piedi del gigante” (não molhar os pés do gigante). 

Esse primeiro desmoronamento deixou marcas no Monte Toc e  Muller  descobriu, uma fissura desenhada em forma de “M”, mas a descoberta não foi suficiente para paralizar o funcionamento da diga. Muller não havia o poder em mãos e suas recomendações foram ignoradas, esquecidas em uma gaveta qualquer. O “M” não era uma homenagem a inicial do nome de  Muller e sim a forma da fissura, conforme foto abaixo. A fissura possuia 2.500 metros de largura e 700 metros de altura.

A enorme fisura em forma de M logo após o primeiro teste no ano de 1960

A tese de Muller dizia que uma vez que o lago estivesse cheio, com a sua capacidade máxima, ele não poderia mais ser esvaziado, pois a própria água serveria de apoio para conter o desmoronamento. Mas alguém deu atenção? Eu não.. e você? Eles também não.

É díficil explicar, mas em 1960 a frana «caminhava » 3cm por dia em direção ao lago artificial. Tudo bem, naquela época os estudos geológicos eram mais dificeis, eles não possuiam as técnicas que os geológos de hoje possuem. Tudo isso é fácil de ser aceitado, mas na dúvida, porque não evacuaram as cidades vizinhas? Alguém consegue responder essa pergunta? A resposta è muito simples: o custo, minha gente! Qual seria o custo de esvaziarem as cidades vizinhas? A onde alojar todo esse povo? Provavelmente o custo seria menor do que aquele que foi pago no dia 09 de outubro de 1963.

Dois anos antes da tragédia a jornalista Tania Merlin antecipou o que iria acontecer. Fez diversas campanhas contra a construção da represa, foi denunciada por  divulgação de notícia falsa e tendenziosa pela SADE. Respondeu processo, foi julgada e absolvida mais tarde.

A jornalista do jornal L’Unità, Tania Merlin, escreveu sobre esse evento:

« Si era dunque nel giusto quando, raccogliendo le preoccupazioni della popolazione, si denunciava l'esistenza di un sicuro pericolo costituito dalla formazione del lago. E il pericolo diventa sempre più incombente. Sul luogo della frana il terreno continua a cedere, si sente un impressionante rumore di terra e sassi che continuano a precipitare. E le larghe fenditure sul terreno che abbracciano una superficie di interi chilometri non possono rendere certo tranquilli. »


Da Borso, presidente da Provincia de Belluno vai até Roma solicitar esclarecimentos do que está acontecendo no Valle del Vajont, mas ele retorna, declarando que è díficil lutar contra a SADE, que trata-se de um Estado dentro do Estado.

Com a queda da primeira frana, a SADE consultou novamente Muller e solicitou novos estudos. Muller aconselhou abaixar o nível d’água do lago. Assim, foi feito um esvaziamento controlado do lago: 05 metros em dois dias e em seguida um repouso constante do lago. Isso permitiu uma imediata redução do movimento da frana que era de 3cm ao dia, até a frana se estabilizou quase que definitivamente. Estávamos em dezembro de 1960.

Em 1961, Carlo Semenza e Giorgio Daz Piaz, morrem sem conhecer a glória ou o desastre da sua grande obra. Assume então os cargos dois engenheiros da SADE.

E os estudos continuavam: foi solicitado um projeto de teste na Università di Padova. Eles fizeram o seguinte: criaram uma represa modelo no qual fariam testes de desmoronamentos para hipotizarem a altura da onda que seria criada na bacia artificial. Utilizaram pedras do Rio Piave para hipotizar um desmoronamento. O resultado dos testes è que a onda formada não traria perigo. A onda que seria formada não ultrapassaria 30 metros de altura e a frana no pior dos casos não chegaria a 40 milhões de m3. Perai, tem alguma “cosa che non và”! Os testes foram feitos com pedras isoladas com uma velocidade muito menor. O que estava para acontecer, era o desmoronamento de um bloco compacto que comportava 300 milhões de m3 de rocha e terra, ou seja 8 vezes mais do que se era estimado e que se moveu numa velocidade 3 vezes maior do aquela prevista. Não preciso dizer a ninguém que o resultado desse teste estava completamente “furado”!

 Ainda nos dias de hoje, podemos observar a majestosa represa intacta, como se nada tivesse acontecido. Foto feita da cidade de Longarone 2011
Foi feito então a segunda prova di invaso, ou seja, de enchimento do lago. O intuíto era de fazer o Monte Toc desmoronar aos pedaços, pouco a pouco. Mas infelizmente, isso não aconteceu. A natureza é mesmo algo imprevissivel: na primeira prova, que não era para a montanha desmoronar, ela desmora; na segunda prova que foi feita exclusivamente para desmoronar a montanha, ela não caiu. Come mai? Como assim ela não caiu? A resposta è simples: a água que repousava no lago, dessa vez, serviu de apoio para a frana, como se fosse um grande muro de apoio. Entre os anos de 1961 e 1963 foram feitos diversos testes de enchimento e esvaziamento do lago e a montanha não desmoronou.

Todos os resultados de todos esses estudos nunca foram enviados ao órgão fiscalizador, ou seja, ao Estado Italiano. Foram todos guardados, esquecidos e ignorados dentro de uma gaveta qualquer.

Uma informção relevante: quando a represa foi construida, ela pertencia a SADE, claro que ela foi feita com financiamento do governo. Pouco tempo depois, foi criada a ENEL, companhia elettrica italiana e todas as empresas eletricas no ano de 1962 deveriam ser vendidas a ENEL e passarem a serem de propriedade do Estado. Eis um dos motivos que a SADE queria terminar o projeto do Vajont com a maior capacidade possivel: quanto mais ela comprovasse a capacidade de funcionamento da represa, maior seria o preço de venda. E no final, se acontecesse algum desastre, a responsável seria o novo dono: a ENEL. Em 14 de março de 1963, è efetuada a passagem de propriedade: O Vajont era propriedade da ENEL, ou seja, do Estrado. A ENEL decide de manter mesma estrutura de pessoal da empresa precedente. Resumindo: o controlador (Estrado) e a controlada (SADE), se trasforma num único Órgão.

Por esse motivo, em 04 de setembro de 1963, praticamente um mês antes da tragédia, sob ordens do engenheiro Biadene o lago chegou a sua quota máxima: 710 m de água na represa. Seria a prova di collaudo, ou seja, a prova que iria comprovar a capacidade máxima de funcionamento da represa.

Uma quota maior do que o nivel de segurança estabelecido pelos estudos antecedentes que dizia que não poderia jamais ultrapassar os 700 m. 10 metros a mais! O que são 10 metros? 10 metros não è nada! Se você multiplicar 10 metros pela superficie do lago, verá quantos zeros a mais aparecerão no contrato de venda com a Enel. Vale a pena correr o risco por todos esses zeros. Os habitantes da zona  começaram sentir que a terra tremia, ou melhor, caminhava.  Vejam bem, a terra começou a tremer um mês antes da tragédia.

E assim, resolveram diminuir devagar o nível do lago, mas já era tarde demais. A natureza deu todos os sinais, ela avisou com antecedência que essa história ia acabar mal. Ela deu tempo para que os trabalhos fossem paralizados, ela deu tempo para que as pessoas fossem evacuadas do local. Mas ninguém quis ouvir, ninguém acreditou que o homem não consegue controlar a fúria da mãe natureza.

Um dia antes da tragédia, a SADE foi informada que os terremotos na área estavam mais fortes e assim enviou um telegrama ao prefeito das cidades Erto e Casso solicitando a evacuação das pessoas que habitavam na vizinhança do lago.  Erto e Casso são cidades que ficam no alto, próximas ao Valle del Vajont. 

E Longarone? Alguém pensou em Longarone, a cidade que estava localizada abaixo da diga, mais precisamente na direção da garganta da represa, conforme vemos na foto abaixo:

A garganta do Vajont e Longarone ao fundo
Longarone não! Avisar pra quê? Só ia causar pânico na população e o máximo que o desmoronamento vai causar é uma onda de 20 metros, conforme o estudo feito pela Università di Padova.  Uma onda de 20 metros não chega nem perto de Longarone.

Nesse ponto que estamos, só existem duas certezas: se esvaziarmos o lago, a montanha desmorona, mas se a montanha desmorona com esse nível d’água, acontecerá uma catástrofe. A SADE então decide diminuir o nível d’ água de 710 para 700, que era a quota de segurança. Troppo tardi, a montanha  agora se move a olhos vistos.

9 de outubro de 1963, 22:39h

O movimento da montanha aumenta com o passar das horas. A “M” de Muller « venne giù », ou seja desmorona,  veloz e compacta. A barreira da represa suportou o impacto, mas não conseguiu conter a água que repousava na bacia do Vajont, que primeiramente foi projetada contra a montanha a sua frente, investindo os vilarejos de Frassen, San Martino, Col di Spesse, Patata, Il Cristo, lambendo  as casas de Casso e Erto. Uma outra onda alta mais de 200 metros se formou foi em direção a garganta do vale, ha 3 km esta localizada a cidade de Longarone – aquela que ninguém achou válido evacuar. A onda assassina era feita de 50 milhões de m3 de água e tinha uma velocidade aproximada de 100Km por hora e atingiu Longarone em questão de minutos, exatamente a 22:42h, levando consigo pedras pessadíssimas, terra, detritos e corpos humanos que encontrava pelo caminho. Além de Longarone, a onda do terror atingiu os vilarejos de Codissago, Castellavazzo, Villa Nuova, Pirago, Faè, Rivalta.

Depois do dia 09 de outubro de 1963, o "M" de Muller ficou totalmente visivel
Antes da tsunami chegar a Longarone, houve um deslocamento do ar que estava na garganta da represa que provocou um enorme vento. Imagina um vento de 04 minutos inteiros. Não aquele vento que vai e volta, mas um vento contínuo, que possui uma força duas vezes maior do que a bomba de Hiroshima. Alguns sobreviventes contam que foram jogados a centenas de metros de distância pela força do vento, antes da chegada da água.
Longarone antes e depois da tragédia
A única estrutura feita por humanos que resistiu a onda do horror, foi a própria represa, que ainda hoje jaz, entre a garganta do vale, solitária e majestosa, testemunha da ganancia humana, da destruição e da morte.

Imagina o rumor de tudo isso acontecendo: uma montanha de 02 km de largura e 260 milhões de m3 de pedra e terra que desmorona num lago com um nivel de água próximo a 700 metros? Só quem presenciou tal cena de horror è que pode contar pra vocês. Aliás, acho que nem eles são capazes de descreverem. O rumor de um monte que se solta do resto mundo. O rumor de uma onda que numa noite de outubro mata duas mil pessoas em 4 minutos de terror.
A estação ferroviária de Longarone: antes e depois.
Quando eu visitei o local no mês passado, eu revi todas essas cenas na minha mente. Imaginei uma inundação vinda do alto. Um vento forte que trazia consigo água e morte. Uma vontade imensa de chorar, de tristeza e dor tomou conta do meu ser, mesmo sabendo que quando aconteceu essa tragédia eu não tinha nem nascido. No Valle del Vajont, em Longarone, em Erto, parece que o tempo è contado de forma diferente. Não existe antes e depois de Cristo, não existe antes e depois da guerra, existe sim, antes e depois da diga del Vajont. Tudo recorda aquele dia fatidico, tudo recorda o que era antes e o que veio depois.
O Campanile di Pirago (fração de Longarone) antes e depois: a Igreijnha foi totalmente destruída, juntamente com o vilarejo, restanto em pé somente o campanile.
Quando a onda chegou a Longarone, ela se dividiu: uma foi ao encontro do leito do Rio Piave e outra ainda muito alta e compacta continuou seu percurso devastador a caminho do mar, que estava a 80km aproximadamente.

O total de vítimas? Pra mim è incalculável, mas o total de mortos foi de cerca 2.000 sendo 1450 em Longarone, número que representava 80% da população. Foram encontrados cerca de 1.500 corpos, dos quais mais da metade não conseguiram ser reconhecidos.

A cena que os primeiros socorros tiveram na manhã do dia 10 de outubro de 1963, è comparavel somente com a cena  de Pompéia depois da erupção do Vesúvio no ano de 79 a.c.. O efeito foi o mesmo, mas o motivo foi diferente:  a erupção do Vesúvio foi obra da força da natureza, e o Vajont, acima de tudo, foi o erro e a ganancia humana.

Longarone e as cidades vizinhas foram completamente reconstruídas, mas obviamente, nada poderá restituir o que foi destruído.
Casso hoje
Erto e Casso hoje são cidades quase fantasmas, com poucos habitantes.

Condenados? Eu nem vou contar, senão vocês pensarão que estou de brincadeira.

Na internet vocês podem encontrar diversos artigos e videos que falam sobre o assunto.  Foi feito um filme com co-produção francesa que vale a pena ser visto. O filme se chama:

Além do filme, foi feito um monologo pelo Paolino, que foi apresentado pela RAI no 40°. Aniversario da tragédia.  O programa è imperdivel e emocionante. No Youtube você encontrará o monologo na integra, divididos em 16 partes.

Atualmente a diga do Vajont è aberta a visitas, você pode caminhar entre os muros da represa pagando um ingresso de 5 euros com direito a uma visita guiada.

Monumento em homenagem as vitimas do Vajont em Longarone
Na cidade de Longarone você encontrará diversos locais dedicados a memoria do que a cidade foi um dia e também è emocionante visitar o cemitério que foi feito em homenagem as vitimas do desastre Apesar da maioria dos corpos não terem sido enterrados ali, o cemitério è mais um simbolo do que propriamente um cemiterio.

Esse foi o post que escrevi aqui no blog, que mais me emocionou.

Para saber mais:
  1. Videos e filmes: Imperdivel o monologo teatral de Marco Paolino. São 16 videos que você encontrará com facilidade no Youtube
2) Sites interessantes:



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