sábado, 23 de abril de 2011

REVISTA ÉPOCA CRITICA O CRBE

A Revista Época publicou uma matéria essa semana que critica duramente o  CRBE que è um conselho que foi criado no final do mandato do Presidente Lula para representar todos nós brasileiros que vivemos no exterior. 

Só tenho três comentários a fazer:

01) É uma pena que um coisa que foi criada para o interesse de todos nós só sirviu até agora para alimentar a vaidade de alguns conselheiros. 

02) Quando è que vamos aprender a eleger nossos representantes? Porquê que no Brasil tudo termina em Pizza?

03)  Vergonha! Principalmente para aqueles conselheiros eleitos que são sérios.

Abaixo a matéria na íntegra.

UM CONSELHO DESACONSELHÁVEL
 Ricardo Stuckert/PR

O Itamaraty criou uma entidade para representar nossos emigrantes. Até agora, seus membros mais brigam que ajudam os brasileiros que vivem lá fora.

Eliseu Barreira Junior, com Letícia Fenili

OUTROS TEMPOS

Conselheiros sorriem ao lado do ex-presidente Lula (no centro), durante a inauguração do CRBE. Depois, titulares e suplentes passaram a se desentender com frequência

Um dos marcos da campanha do então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, foi a "Carta ao Povo Brasileiro", em que ele se dispunha a respeitar os fundamentos da economia de mercado. Poucos se lembram que Lula firmou outro compromisso naquele ano. Na "Carta aos brasileiros que vivem longe de casa", prometia apoiar a criação de entidades que representassem os emigrantes ante consulados e embaixadas. Lula cumpriu a promessa em dezembro de 2010, já em fim de mandato, quando passou a funcionar o Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior (CRBE). O objetivo, segundo seu regimento, era assessorar o Itamaraty em "temas relevantes" para as comunidades brasileiras lá fora. Em quatro meses de vida, porém, boa parte dos 16 conselheiros titulares e outros 16 suplentes têm gastado seu tempo com questões irrelevantes para os 3 milhões de brasileiros que vivem no exterior.

Na lista de assuntos do conselho, a que ÉPOCA teve acesso por troca de e-mails, há debates sobre o tipo de passagem aérea a que cada um tem direito para vir às reuniões no Brasil, a prerrogativa de ter ou não passaporte diplomático e até se o cartão de visita de cada conselheiro deveria ou não trazer trecho de um salmo da Bíblia.

O CRBE foi formado por meio de uma eleição pela internet. São quatro representantes, com mandato de dois anos, para cada uma das quatro regiões do mundo estabelecidas pelo Itaramaty: 1) Américas do Sul e Central; 2) América do Norte e Caribe; 3) Europa; e 4) Ásia, África, Oriente Médio e Oceania. Também houve escolha dos suplentes. Nenhum conselheiro está vinculado oficialmente ao Itamaraty nem recebe salário. O governo banca os gastos com passagens e hospedagem quando eles são convocados para encontros no Brasil.

Foi aí que a confusão começou.

De acordo com o decreto que criou o CRBE, para que seja feito o cálculo das despesas com passagens e diárias, os conselheiros são equiparados a funcionários públicos do nível hierárquico conhecido pela sigla DAS-4. Isso quer dizer que eles podem receber um bilhete de classe executiva nos trechos em que o tempo de voo entre o último embarque em território brasileiro e o destino for superior a oito horas – condição em que se encaixam 25 dos 32 conselheiros. Aparentemente, sem saber que a viagem de executiva não é um direito, mas uma possibilidade, um suplente sugeriu que os titulares abrissem mão do benefício. Assim, todos viajariam de econômica, e o governo poderia pagar a viagem dos suplentes para também participar da próxima reunião do grupo, prevista para maio em Brasília.

A ideia gerou um bate-boca entre os conselheiros. Num e-mail, um titular escreveu: "Não abro mão da categoria DAS-4 e de viajar em classe executiva. (...) Suplentes que possam arcar com as despesas (...) seriam bem-vindos à reunião de maio como meros observadores". Uma suplente emendou: "Não me faz (...) mais realizada participar de um conselho de vaidosos, inescrupulosos, desrespeitosos". Outro titular justificou ter "problema de desvio na coluna" para viajar com mais conforto. A briga perdeu o sentido depois de o Itamaraty anunciar que só os titulares viajarão com despesas pagas – como já previa o regimento do CRBE –, mas de classe econômica. A justificativa: corte de gastos.

Uma discussão sobre viajar de classe econômica ou executiva causou um racha entre os conselheiros

Outro foco de conflito foi a proposta de os conselheiros receberem passaportes diplomáticos, um benefício concedido ao presidente da República, ao vice, a ministros, parlamentares e a outras altas autoridades. A posse do documento dá acesso à fila de entrada separada em aeroportos e tratamento menos rígido nos países com que o Brasil mantém relação diplomática, além de tornar dispensável a exigência do visto em algumas nações. A sugestão partiu da conselheira titular Ester Sanchez-Naek, que vive nos Estados Unidos. "Há países em que temos de pagar pelo visto e não recebemos salário para isso. O passaporte diplomático ajudaria muito", diz Ester. Ela foi apoiada pelos demais titulares da região. O presidente do CRBE, Carlos Shinoda, que mora no Japão, encaminhou o pedido ao Itamaraty, em caráter de consulta.

Em janeiro, o ministério mudou as regras para a emissão do documento, depois que sete parentes do ex-presidente Lula, entre filhos e netos, receberam o passaporte especial. Agora, só pode obtê-lo quem fizer "solicitação formal fundamentada". Quando a história vazou para os suplentes, os titulares foram acusados de se aproveitar do cargo para conseguir privilégios. "Se soubesse (do caso dos parentes de Lula) , talvez não tivesse feito o pedido", diz Ester. Segundo a assessoria do Itamaraty, "não há previsão legal para a concessão de passaportes diplomáticos a membros do conselho".

Até o formato de como seria o cartão de visitas dos conselheiros entrou na lista de discussões do conselho. Ester, que é evangélica, sugeriu a colocação do versículo 1 do Salmo 23 da Bíblia: "O senhor é o meu pastor, nada me faltará". "Como nas notas de dólar há a frase `In God we trust' (`Em Deus, confiamos'), ela pensou que não tivesse problema", diz um titular. Ester desistiu da ideia ao perceber a reação negativa da maioria. Mas a troca de mensagens sobre o modelo do cartão continuou. "Quando um e-mail para a discussão da pauta da reunião de maio é enviado, temos umas duas respostas", diz o titular Carlos Mellinger, da Inglaterra. "Mas, se o tema é o desenho do cartão, aí a conversa tem mais de 30 e-mails."

Questionado sobre que ações o CRBE já tomou, o presidente Carlos Shinoda afirmou que "as atividades foram além do que está estabelecido como atribuições no Decreto nº 7.214 (que criou o conselho) ", mas não deu nenhum exemplo. Para o suplente Rui Martins, da Suíça, considerado por um dos titulares como "elemento nocivo" no grupo, o conselho deve ser um estágio para a criação de uma Secretaria de Estado dos Emigrantes, com status de ministério – mais um, numa já inchada lista de 37. O professor da PUC de Minas Gerais Duval Fernandes, especialista em migração internacional, diz que a ideia de um ministério é um exagero, pois hoje há mais gente voltando ao Brasil do que saindo. Para ele, a melhor proposta seria ampliar o direito a voto dos emigrantes, que atualmente só participam das eleições presidenciais. "Assim, eles teriam representantes no Legislativo com real empenho na defesa de seus interesses." Uma tarefa que, por enquanto, os membros do CRBE ainda não demonstraram estar cumprindo.

4 on: "REVISTA ÉPOCA CRITICA O CRBE"
  1. Oi Cris, tudo bem?
    Acho importante que a imprensa brasileira esteja interessada na comunidade de brasileiros no exterior, mas essa matéria da revista Época na opinião não ajuda a comunidade que vive fora do Brasil.
    O artigo manipula o leitor contra o CRBE, tentando transmitir a imagem que é um serviço caro pago pelos impostos dos brasileiros. Mas não é bem assim. Até porque os gastos com o CRBE são ínfimos.

    Em primeiro lugar nenhum conselheiro recebe salário. Fico pensando se eu tivesse lido eleita como faria. Eu atualmente tenho dois trabalhos para me manter na Italia, além dos meus blogs e tempo livre é raro. Agora imagina se dedicar para um projeto desses de graça que loucura que é e ainda por cima vem uma revista falar dos "privilégios" dos eleitos. Ridículo. Se eles tivessem salário, motorista, casa paga, verba talvez a revista pudesse se pronunciar. Mas ficar jogando com o fato da passagem aérea ser de classe econômica ou executiva, me parece falta de assunto.

    Depois o CRBE é uma coisa novíssima, fresquíssima e acho natural que os seus membros ainda estejam procurando o caminho das pedras. É muito fácil seguir o caminho dos outros, mas começar uma estrada nova do zero não é simples.

    Se existe uma coisa que os Conselheiros precisam é de ajuda e conselhos dos brasileiros que moram no exterior, que moram no Brasil e da imprensa.

    Você viu que vai rolar um encontro aqui em Florença dia 06 de maio. Ainda não sei local e horário, mas vamos participar com certeza. :-)

    beijocas para você, que é sempre uma queridona.

    Babi

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  2. Babi

    Eu concordo com voce em alguns pontos. Talvez fosse melhor remunerar os conselheiros para que eles pudessem se dedicar 100% a essa atividade. Porem o que eu tenho visto por ai, è uma feira de vaidade. Eu pedi ajuda para ver o processo da conversao da patente italiana e nao obtive nem resposta deles. Vamos ver se depois dessa materia, o pessoal acorda e leve a serio o assunto CRBE. Se voce participasse da comunidade Brasileiros e Brasileiras no Exterior, um grupo do Yahoo voce veria o bate boca entre suplentes e reservas. Se vc quiser eu te mando o convite.

    Eu estou querendo ir nessa reuniao de Firenze, mas nao sei se consigo ir porque terei prova nesse mesmo dia. Vamos ver qual sera o horario. Beijos

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  3. "Se existe uma coisa que os Conselheiros precisam é de ajuda e conselhos dos brasileiros que moram no exterior, que moram no Brasil e da imprensa."Babi disse tudo, concordo plenamente!
    Pra começar: desde inicio de 2011 està sendo feito um trabalho formiguinha pela impressa brasileira ( poucas excessoes) p/ desmoralizar tudo de bom que foi feito no ultimo governo ( que façam criticas dos ditos "mal feitos" e "nao feitos", mas perai..).Fiquem atenta(o)s, para nao cair na "rede".
    Cris, desculpe, mas nao posso assitir impassivel ! Voces, de blog, tem um instrumento maravilhoso nas maos: cobrem dos eleitos, divulguem aos eleitores, discutam abertamente e se nao estao tendo resposta dos eleitos..como disse Babi, ainda è tudo recente, nao deixem tudo ir por agua abaixo antes mesmo da proxima eleiçao !!! Ou serà melhor desistir por incompetencia ? E de quem ? Dos eleitos..dos eleitores...Desistir jamais! Afinal era o que tanto desejavam, nao? Avante "moçada" !

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  4. Rosana

    Eu sou a primeira a apoiar o CRBE, alias, eu publiquei e divulguei todo o processo de formaçao e acho sim que devemos apoiar e acreditar nesse conselho. O que eu acho è que ta todo mundo meio perdido e acredito que esse artigo da Epoca sirva pra acordar o povo. Ta na hora de deixar os privilegios, a vaidade de lado e pensar e agir em pro de algo maior, que è o interesse da comunidade brasileira no exterior. Eu pensei mil vezes antes de publicar esse artigo, e decidi em publica-lo exatamente, porque quem esta fora do Br e nao tem acesso a Epoca, que sao as pessoas mais interessadas no processo, tem o direito de saber o que esta acontecendo e ainda mais, vamos levar a critica da Epoca, como construtiva e nao como algo que queira derrubar o CRBE.

    Um abraço pra ti

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Cristiane de Oliveira, brasileira, natural do Rio de Janeiro, mora em Florença
há mais de cinco anos. Apesar de ter o coração verde e amarelo, se apaixonou pela Italia e mais precisamente por Florença a ponto de estudar minusiosamente a história da arte, do povo e da cidade onde vive. Hoje, Cristiane, è guia turística autorizada da cidade de Florença.

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