segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Pra lá de Marrakech: Acampamento no Deserto - Parte 2


Onde foi mesmo que a gente parou?

A gente estava pra lá de Marrakech no acampamento do deserto parte 1, mais precisamente na cidade de Zagora. Chegamos ao ponto que depois de 08 horas de viagem com o minibus, teríamos que finalizar a jornada com o famoso passeio de camelos até o nosso hotel 5 estrelas, ou seja o nosso acampamento, onde iríamos passar a noite. Nesse ponto, os camelos e dois berberes estavam nos esperando.

Alguém falou em passeio de camelos?  Pelo menos o que nos foi prometido, foi passeio de camelos. Mas cadê os camelos? Olhei, olhei... Não vi nenhum camelo! Eram dromedários! Nada contra os dromedários, mas se o que foi oferecido foi passeio de camelos, tinha que ser camelos! Eu odeio quando me prometem uma coisa (ainda mais quando pago) e depois me oferecem outra coisa, mesmo que o resultado no final seja muito parecido. Era como se eu tivesse comprado coca-cola e me dessem pepsi-cola. Seria mais justo se o nome do passeio fosse: Passeio no deserto com dromedários. Eu teria comprado do mesmo jeito! Depois eu descobri que no norte da Africa, não existem camelos e sim dromedários. Então meu amigo, se um dia você sonhar em fazer um passeio de camelo no deserto do Marrocos, já fique sabendo que você vai pagar pelo camelo e vai levar o dromedário.Os marroquinos são doutores em trocar coelho por lebre. Em Fez, uma outra cidade marroquina que visitamos, a gente foi almoçar e eu pedi salada com atum. Alguém falou em atum? O que estava na minha salada era sardinha e daquelas enlatadas! O casal de francês que estava com a gente, devolveu na hora, e disse que só aceitava se fosse atum. Mas vocês tinham atum?Nao??? Nem eles... O francês não pediu mais nada e ficou com fome... Eu como estava faminta e já eram três horas da tarde, e não tinha tomado café da manhã, tive que comer a tal da sardinha. Na mesma Fez, eu comprei um puf e o vendedor me vendeu como couro de camelo. Couro de camelo.. ma va...

Pára tudo!!!! Já desviei o assunto de novo. Voltamos aos camelos, ops, dromedários e aos berberes. O povo berbere é uma raça diferente daquela marroquina que a gente vê nas cidades. A palavra Berbere significa "homem livre" e é um conjunto dos povos que habitam no deserto do norte da Africa, mais precisamente no Marrocos e na Argélia. Os tuaregues, que são árabes nômades do deserto do Sahara, aqueles que a gente vê vestidos todo de azul, também fazem parte da raça berbere. Fisicamente você nota a diferença do povo berbere para o povo árabe. Eles possuem o seu próprio dialeto, que è a lingua berbere de origem afro-asiático. Os berberes são o povo mais antigo do continente africano.

Todos desceram do carro e foram logo escolhendo o seu dromedário. Eu olhando, fingindo que estava escolhendo um, mas na verdade eu estava tomando coragem pra enfrentá-lo. Até que cheguei perto do Berbere e pedi o menorzinho - mas mesmo o menorzinho era grande demais para as minhas pernas curtas. Eu tenho um grande problema com animal, seja ele qual for. Me dá ânsia quando toco neles. Eu não gosto de tocá-los e também não gosto que eles me toquem. Não me perguntem o motivo, eu não sei responder. Talvez seja porque quando pequena, eu nunca tive um animal, não fui criada com eles. Não é nojo, é uma mistura de medo que eles me machuquem e que eu também os machuque. Voluntáriamente, eu sou incapaz de tocar um animal. Mas aí não ia ter jeito...eu teria que tocá-lo.

Subir no camelo foi o grande problema. Mesmo ele estando deitado, ele è alto, não tinha nenhum banquinho pra me ajudar a subir. Sandro que poderia ter me ajudado, já estava com o seu dromedário. Eu bem que queria que os guias fizessem uma cadeirinha com as mãos pra eu poder me apoiar porém, eu não consegui explicar ou eles fingiram que não entenderam. Eles me disseram pra eu apoiar o pé na barriga do bichinho. Como me doeu ter que praticamente pisar no bichinho... Que covardia! Eu preocupada em machucá-lo e o dromedário não estava nem aí com a minha presença. Na mesma hora que eu subi, o bicho levantou.

Para os meus 1,50m, me senti a dona do mundo, vendo tudo lá de cima. Os camelos tinham a boca amarrada (uma outra covardia!) e um era ligado ao outro com uma corda. Éramos duas filas de camelos em fila indiana e cada berbere seguia na frente controlando a corda. O que parecia ser diverdido começou a incomodar! Eu não tinha a mínima idéia que andar de dromedário era tão desconfortável. O bicho pula mais que um canguro. Ao mesmo tempo que seu corpo pula pra cima e pra baixo, você vai pra frente e pra traz. Quem sofre de coluna, eu não recomendo, porque depois de uma hora e meia pulando, todos os seus ossos e músculos pedem socorro. Uma dica pra quem quiser fazer o passeio: não esqueça de levar um dorflex, o seu corpo vai agradecer. Tirando o pula-pula, o dromedário parece ser um animal muito dócil e acostumado a fazer aquele passeio com turistas. Ele anda devagar, no seu próprio ritmo e literalmente cag...do e andando pra todo mundo! 

Chegamos ao acampamento e fiquei ja estressada pensando como vou fazer pra descer desse camelo??? Para minha surpresa, foi mais fácil do que eu pensava. Desci em um segundo, que não me lembro nem como, afinal pra descer todo Santo ajuda e aquele que eu não gosto de falar o nome, ainda empurra. 

Nosso acampamento
O deserto foi uma outra decepção. Não era o deserto que eu sonhava. Era muito próximo as vilas, as dunas tinham no máximo 30 cm, em vez de 30 metros que eu sonhava. Tinha um pouco de vegetação rasteira, qeu parecia mais com a nossa velha caatinga. Foi impossivel não dizer: esse deserto è paraguaio! Nas dunas do nordeste brasileiro, você sente mais no deserto do que aqui! Tinha até um gato, que como sempre, me acompanhou o tempo todo. Parece que ele sabia que eu tinha medo dele e fazia de propósito.

Interior do acampamento
O acampamento era composto de 05 tendas grandes. Uma tenda servia de refeitório, e as outras 04 serviam de dormitórios. Cada tenda, tinha capacidade máxima para oito pessoas, tinha um lampião a gáz, 08 colchonetes e diversos cobertores. O chão era coberto todo por tapetes.

Duas tendas eram reservadas para o nosso grupo, e as outras duas, para um outro grupo chegaria mais tarde. Eu, Sandro e minhas duas amigas, tomamos conta de uma tenda, fiquei mais tranquilizada, porque mais tarde o ronco do Sandro ia levantar aquela tenda... ainda bem que só tinha a gente. 

Fomos para o refeitório e eles nos ofereceram um chá de menta de boas vindas e teríamos que esperar o outro grupo chegar para o jantar. O chá de menta era bastante saboroso.

Depois que o outro grupo chegou, o jantar foi servido e a única opção que tínhamos era tajine ou tajine vegetariano. Como eu já não tinha boa experiência de comer pratos com carnes no Marrocos, (geralmente è carne de cordeiro, com bastante gordura), eu e minhas duas amigas optamos pelo tajine vegetariano. Tajine è uma comida típica marroquina feita com legumes e carnes. Eles utilizam uma panela de barro com forma de cone para cozinha-lo. A carne fica por baixo e è coberta pelos legumes, que na maioria das vezes são batatas, cenouras, vagens, ervilhas... É bem gostosinho, mas depois de 05 dias, você não consegue mais nem ver, porque eles colocam uma especiaria, que eu ainda não consegui decifrar se era paprika ou cominho, ou todos os dois. Enfim, toda a  comida marroquina tem esse odor particular e depois de alguns dias embrulha o seu estômago.

Li em diversos outros blogs, que o céu no deserto, a noite, è espetacular. Eu não tive sorte, o céu estava parcialmente coberto e não me pareceu nada de mais. O céu do Brejal, no interior de Petrópolis onde meus tios possuem um sitio, parecia muito mais bonito.

Foto: Estela Pedro
Depois do jantar, nos reunimos em volta de uma fogueira e ao som de tambores e canções berberes. Era bem bonito, me fez recordar  as dezenas de vezes da minha adolescencia que me reunia com os amigos enfrente a fogueira de um barzinho em Itaipava e ficávamos a noite toda cantando Legião Urbana. Que nostalgia! Ficamos ali até a lenha queimar toda e depois fomos para a barraca.

Foto: Estela Pedro
Banho... só se for de areia! Me sentia um bife a milanesa, tive que trocar de roupa pra dormir, pq eu já me coçava toda. A maioria do pessoal, dormiu com a roupa que estava, nem os sapatos tiraram, mas eu não consegui. Era melhor ter dormido de sapatos, pelos menos no dia seguinte, eu não ia sentir areia nos pés e dentro dos sapatos.

Apesar de estar morta, custei pra adormercer. Fiquei procurando por escorpioes na barraca! Vi uma coisa preta enroladinha na parede da barraca, e como estava escuro, não dava pra ver o que era. Acordei Sandro que já dormia, e ficamos os dois com medo de chegar perto. Ele futucou a coisa enroladinha com a perna do óculos, e não se movia. Sandro disse: qualquer coisa que seja, está morto, pois não se move. Mesmo assim eu não conseguia relaxar com medo daquela coisa. Seria uma minhoca? Uma lacraia? Um inseto desconhecido? Minha mente urbana pensava em mil coisas. Até que acendi o celular e com a luz pude ver o que era. Eram linhas pretas e grossas da barracas que estavam enroladinhas... Enfim, depois disso consegui desabar e dormir o sonho dos justos.Ah... os cobertores...tinham um odor horrível, tentei dormir sem eles, mas com o frio que fazia, era impossivel.

Amanhecer no deserto - Foto Estela Pedro
Tão justo que se transformou em injusto: não conseguimos acordar para o ver o amanhecer. Dizem que o amanhecer no deserto è lindo! Quando a gente acordou, já estava claro. Tomamos o cafè da manhã, ou melhor, o chafè, e retornamos com os dromedários até onde havíamos deixado o carro. A volta com o dromedário foi mais tranquila.

Eu sinceramente, achei o custo benefício do passeio ruim. O pessoal gostou, mas eu como sou mais crítica ou talvez porque eu esperava mais, não gostei muito e não faria novamente. Valeu pelo dromedario, ou melhor, por eu ter conseguido vencer o medo dele, e valeu porque tenho alguma coisa pra contar para vocês. Como diz o rei, "se chorei ou se sorri, o importante è que emoções eu vivi."

Uma outra dica que esqueci de dizer: não esqueça de levar água e papel higiênico, no acampamento não tem. Banheiro? Esqueça....Se você perguntar pelo banheiro, eles vão mandar você olhar em torno, que tem banheiro pra todo lado!

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