quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pra lá de Marrakech: Acampamento no Deserto - Parte 1

Quando se chega em Marrakech, você recebe dezenas de ofertas de excursões nas diversas agências de turismo espalhadas pela cidade ou até mesmo oferecido pelo hotel em que você se hospedou. O grande problema, è que na maioria delas è necessário, dois, três, quatro ou mais dias de passeio. Pouquissimas e as menos interessantes são de um dia apenas. A gente conseguiu uma de dois dias com passeio de camelos e acampamento no deserto, o tão famoso "bivouac".

Eu tinha muita vontade de passar uma noite no deserto, de sentir realmente o clima do povo do deserto, mas  duas coisas me preocupavam:

01) Os diversos sequestros de italianos no deserto africano. Uma semana antes da gente partir, uma italiana foi sequestrada no deserto da Argélia, que è um pais vizinho ao Marrocos. Ok, tudo bem, não sou italiana,  levo meu passaporte e comprovo que sou brasileira sim, com muito orgulho! Mas e Sandro? É eu preciso com urgência providenciar um passaporte brasileiro pra ele...Como se fosse tão fácil, né? Somente depois de alguns anos de residência è que o Brasil concede a naturalização e por enquanto, retornar ao Brasil, è algo que está muito longe da nossa realidade. Eu tenho um problema sério quando escrevo, eu troco de um assunto para outro, como troco de chinelos. Vamos voltar ao tema principal que è melhor.

02) O segundo motivo que me dava um frio na barriga, era justamente o passeio de camelos. Eu nunca tive coragem de subir num burrico, o máximo andar de charretes, "figurati", andar de camelo! Maior do que o medo, era a vergonha que eu ia sentir, se eu desse um show na frente de todo mundo! Imagina, eu com a minha idade, dando um show por medo do camelo??? 

Bem, fechamos a viagem com a agência Sahara Expèdion pois a minha amiga já tinha visto algumas referências sobre a agência em diversos sites de viagens. O custo do passeio ficou por volta de  70 euros e estava incluído dois dias e uma noite, o jantar e o café da manhã, o transporte até o acampamento, o passeio de camelos, e visitas a duas cidades. O almoço dos dois dia seria por nossa conta. A partida seria as 07 da manhã e o retorno as 19 horas do dia seguinte. O carro nos levaria próximo ao deserto, e depois faríamos 1:30h de caminhada com os camelos para chegar até o acampamento.

Quando a gente fechou o passeio, eu perguntei o que se poderia fazer, se eu não conseguisse andar no camelo e eles me disseram que eu poderia fazer o percurso com o carro, mas que eu deveria avisar antes, para eles poderem providenciar o carro 4x4 ou então faria o percuso a pé. Eu não quis desistir de cara do camelo, eu queria pelo menos tentar pois não é todo dia que a gente tem oportunidade de andar  de camelos no deserto, então dispensei o carro. Eu teria duas opções: vencer o medo do camelo, ou andar a pé no meio do deserto por mais de uma hora e meia. Porque se o camelo demorava uma hora e meia pra chegar, eu com certeza levaria no mínimo três. 

Passou um filme pela minha mente: as dunas do nordeste do Brasil e a imensa fadiga do sobe e desce... Aquele vento furioso, endurecendo os meus cabelos e cegando meus olhos. Me vi chegando no acampamento com a linga furada, de tanto arrastar no chão e amaldiçoando a minha bendita covardia de enfrentar o camelo. Meu passeio estaria arruinado! Pensei, acho melhor enfrentar o camelo do que o deserto. Acho que a preguiça começou a vencer o medo...

As 07 horas da manhã estávamos la: eu, Sandro, e mais duas amigas brasileiras. Nos esperava um mini ônibus com outros turistas de diversas nacionalidade: casal de espanhóis (olha, como tem espanhol no Marrocos!), dois chilenos e um casal da Slovenia. O que o casal de slovenios falavam a gente não entendia uma virgula, aliás, a gente já estava fazendo apostas pra saber que lingua era aquela. Os dois chinelos a gente conseguia entender quase tudo que eles falavam e os espanhois...um terror, eles falavam catalão - nenhuma palavra a gente conseguia entender!

Com o passar do tempo, descobrimos que os slovenos moravam na fronteira com a Italia, e assim eles falavam italiano, e um dos chilenos também havia estudado a lingua italiana e falava fluentemente. Eles pensaram que nós éramos italianos, porque a gente não falava em português. Quando o chileno descobriu que eramos brasileiras, ele fez uma pergunta que até agora eu não sei responder: "Vem cá, vocês são brasileiras e se comunicam em italiano. Porque vocês não usam a  sua lingua madre, o português? Ele tinha razão, eramos 03 brasileiras e um italiano. Era mais plausivel e correto a gente usar a nossa lingua. Eu respondi a ele que usávamos a lingua italiana por causa de Sandro que não entendia o português - Essa foi uma das mentiras mais lavada que já falei. Me senti como um pinocchio, deu vontade até de olhar no espelho pra ver se meu nariz havia crescido. Sandro entende perfeitamente o português, mas eu não sabia, ou melhor, senti vergonha de um estrangeiro perguntar porque não usamos a nossa lingua madre.

Para chegar até o acampamento foi um stresse. A viagem foi cansativa, pra dizer a verdade, foi dura mesmo. Antes de chegar no acampamento, eu já tinha dito milhões de vezes que estava arrependida de ter feito o passeio. A gente teve que atravessar todo a cadeia de montanhas do Atlas e a estrada, vou te dizer meu amigo, è completamente sinuosa e mão dupla. Olhando do alto, a estrada parece uma serpente. Curvas, curvas, curvas... e mais curvas perdidas no nada. No ínicio, a paissagem te encanta: imensos blocos de pedras com a ponta branca pela neve! Mas depois, de 10 horas de viagem, você não consegue ver nada mais que poeira e pedra. Você fica completamente tonta, seus ouvidos tapam e seu estomago baila ao som das curvas. A Estela, minha amiga, lembrou de levar plasil, que foi a nossa salvação. Acredito que a gente não fez mais de 400 km. Tudo bem, a gente parou duas horas para almoçar e conhecer Ait Ben Haddou, que è uma vila belissima e que merece um post só pra falar dela.

Chegamos ao ponto final com o carro. Daqui para frente, devemos seguir com os camelos que já estão todos deitados, em fila, esperando pela gente. Minha barriga começou a doer...

Amanhã eu continuo, porque o texto já está muito grande e vocês ficarão com preguiça de ler tudo!

Vocabulario:
Bivouac: acampamento
Figurati: Imagina!

Vocabulario:
Bivouac: acampamento
Figurati: Imagina!

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