domingo, 16 de janeiro de 2011

Chuvas no Rio e o desespero de quem esta longe

Eu não sei se já falei aqui, mas a minha familia paterna è toda de Petrópolis, e eu sempre ia desde de pequena, todos os fins de semana visitar meus avós, até que quando completei 18 anos decidi morar, estudar e trabalhar na Cidade Imperial. Vivi ali por 12 anos e tenho um laço afetivo muito grande com essa cidade. Me dói na alma ver os lugares por onde passei grande parte da minha infancia e adoslecencia ser destruído dessa forma, em pouca horas. As cenas que vejo na TV me deprime, me faz chorar, e me faz questionar um monte de coisas, Porém acredito que essa não è a hora de procurar culpados, è hora sim de enterrar nossos mortos, salvar quem ainda pode ser salvo e acima de tudo, ajudar as milhares de pessoas que precisam de alimentos, águas, roupas, velas (velas sim... as pessoas estão no escuro, porque em grande parte das cidades atingidas, a energia ainda não funciona), enfim, tudo que for possivel!

A tragédia aconteceu exatamente no dia do meu aniversário de casamento e eu tinha combinado com Sandro da gente passar a tarde juntos. Sai de casa cedo e como de costume, eu não olhei o site da Globo naquele dia. Todo Santo Dia eu olho o site da Globo, porque me interessa muito saber notícias do meu país, e naquele dia eu não olhei. Alias, a única coisa que eu fiz na internet foi publicar no meu blog e no Facebook uma nota sobre o meu aniversário de casamento.

Saí de casa cedo e voltei tarde, ja passava de meia noite. Estava feliz por mais um ano de matrimonio. Mas como vicio é vicio, entrei no FB para poder colher minha plantação do FV - Confesso, sou viciada no farmville! E ai aproveitei para agradecer as mensagens de auguri pelo matrimonio. No meio de tantas mensagens de felicidade, tinha uma em especial, de uma amiga de Petrópolis que dizia mais ou menos aqui: Me desculpe, no mesmo dia que você comemora seu aniversario de casamento, sua cidade está debaixo d'àgua. 

Eu gelei e comecei a procurar informações sobre essa notícia, e quanto mais procurava, mais apavorada eu ficava: tinha passado um tsunami na região que eu tanto amo.

E eu ficava ali, sem acreditar no que eu lia e via na internet. Liguei pra minha irmã pra saber o que realmente tinha acontecido e pra saber como estava minha familia. Minha irmã disse que estavam todos bens, que ninguém da nossa familia tinha sofrido e que a área que eles moram não foram atingidas. Que em Petrópolis não choveu tanto, que a água que invadiu a cidade, foi a água que vieram de Friburgo e Teresópolis, cidades vizinhas. Toda a agua dessa cidade, desaguou no Rio Piabanha de Petropolis na altura de Teresópolis e ai começou a desgraça. Pedras gigantes rolaram dos morros e fizeram uma barreira, alterando o percuso do rio. Tenho diversos amigos que moram na região de Itaipava, e eu ainda não tenho noticias de ninguem. Só penso a Deus que eles não estejam respondendo por falta de acesso a internet, por falta de energia eletrica, ou porque estão ajudando como voluntariado.

No meio da conversa com a minha irmã, ela me disse com a voz engasgada: Aqui em Petrópolis estamos todos bem, mas a Iaiá (minha sobrinha de 05 anos) está desaparecida. Como assim desaparecida? A Iaiá mora no Rio e que eu saiba, o Rio não foi atingido pelas chuvas.

Então minha irmã me explicou: minha sobrinha tinha ido passar a semana, aproveitando as férias escolares no sitio dos seus avós maternos, na cidade de Bom Jardim e desde que aconteceu a tragédia perdemos o contato com eles - o telefone (fixo e celulares não respondem). Meu mundo desabou... meus irmãos desesperados, e nessas horas não tem jeito, a gente sempre pensa no pior. 
E eu tão longe, sem poder fazer nada, sem poder dá ao menos um abraço consolador na minha familia.

Ficamos eu e minha irmã durante toda a noite procurando na internet noticias de Bom Jardim, mas a gente não encontrava nada. Os jornais só falavam de Teresópolis, Petrólis e Friburgo.

Liguei pra defesa civil de Bom Jardim, e o telefone também não respondia. Minha irmã ja estava se preparando pra ir de carro na manha seguinte procurar por eles. Quando chegou de manhã, conseguimos achar um artigo na internet dizendo que Bom Jardim estava isolada, que as duas pontes que davam acesso a cidade, tinham sido destruídas e que os telefones e a energia elétrica não estavam funcionando. Meu coração se aliviou, pensei: eles não respondem porque o telefone não funciona, mas mesmo assim, o medo, o mal pensamento, vendo tanta desgraça pela TV, amargurava meu coração.

Não tinha jeito de ir carro procura-los e meu irmão já estava no auge do desespero, Iaiá è a sua unica filha. O unico jeito de chegar em Bom Jardim era com um helicoptero, e assim foi decidido. Quando ele já estava no aeroporto, o telefone dele toca, finalmente a gente tinha noticias. Iaiá e seus avós estavam bem, são e salvos e já estavam a caminho de casa. Bom Jardim fica mais ou menos a 100km do Rio e para retornar a casa, eles foram até Campos no norte do estado do Rio (que fica aproxidamente 500km do Rio) e depois desceriam pelo litoral. Era o único caminho possivel para chegar ao Rio. Em vez de fazerem 100 km, eles tiveram que fazer 1000, mas chegaram em casa salvos. 

As vezes a gente que está longe, sente falta da familia nos momentos de alegria e felicidade, momentos que queremos dividir com quem a gente ama.

Mas aprendi, que os momentos de tristeza, de medo, os momentos "cattivi" são muito mais dificieis de suportar sem o abraço familiar.

Continuo acompanhando todas as noticias, continuo rezando e pedindo a Deus para proteger o nosso povo e que toda essa tragédia sirva de lição para os nossos governantes.

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