Noticias da Bota: arte, vida e turismo na Italia

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A Casa Santa de Loreto

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Loreto é uma pequena cidade localizada na região italiana de Le Marche (Marcas, em português) a 300 km de Roma. Situada sobre uma colina, a cidade possui cerca de dez mil habitantes. Loreto é uma grande meta de peregrinação mariana, porque alí se encontra a Casa Santa, onde a Virgem Maria recebeu o anuncio do anjo Gabriel e onde Ela viveu juntamente com Jesus e São José após voltarem do Egito.

Como assim, a casa onde viveu Maria se encontra na Itália? 

Que conversa é essa? Existem duas explicações para o fato que a Casa Santa se encontra em Loreto. Uma delas, a mais tradicional, diz que foram os anjos que a trouxeram em dezembro de 1294, a outra diz que as pedras da Casa de Nossa Senhora foram trazidas da Palestina pelas cruzadas que foram forçadas pelos muçulmanos a abandonar a Terra Santa.



Talvez a versão que a Casa Santa foi trazida pelos anjos tenha nascido de um erro da tradução latina “DE ANGELIS” (pelos anjos) encontradas em documentos da época. Graças ao arqueólogo pontifício Giuseppe Lapponi, que em 1900 encontrou alguns documentos nos arquivos do Vaticano segundo o qual uma família nobre bizantina chamada Angelis, descendente dos imperadores de Constantinopla , no século XIII, salvou os “materiais” da Casa de Nossa Senhora das destruições muçulmanas. Hoje acredita-se que as pedras da Casa Santa tenham sido trazidas para Loreto de navio, talvez como um presente para o Papa Celestino V, coroado pontífice em 05 de julho de 1294 por vontade de Carlos II de Angió. O Papa Celestino V renunciou ao pontificado em 13 de dezembro de 1294, sem nunca ter colocado os pés em Roma.

As pedras desembarcaram no porto de Recanati, cidade vizinha de Loreto e que naquele tempo fazia parte do Estado Pontifício. O Bispo de Recanati, era o responsável dos negócios do Papa naquela ocasião e decidiu usar as pedras para a construção, em cima da colina onde hoje se encontra a cidade de Loreto, de uma capela dedicada a Virgem Maria. O povo, dado que nas redondezas existia um bosque de louros, começou a chamar a capela de Nossa Senhora do Loreto, nome que passou para o pequeno povoado que nasceu ao redor da capela.

Observando as pedras da Capela de Loreto, podemos observar diversos grafitos que são muitos semelhantes àqueles encontrados na Terra Santa e de modo especial, em Nazaré, incluídos os exemplares atribuídos aos cristãos do II ao V séculos.

Outros achados arqueológicos revelaram-se importantes sobre a origem da Casa Santa. Foram encontradas cinco pequenas cruzes de tecido vermelho, típicas dos cavaleiros das cruzadas em uma cavidade debaixo da “Janela do Anjo”. Repontam-se a època das cruzadas, quando ocorreu a transferência da Casa Santa em Loreto.

Não é importante que a Casa Santa tenha sido trazida pelos anjos ou por alguém que pertencia a família De Angelis, o fato é que Loreto guarda a maior relíquia cristã fora da Terra Santa.



A Capela possui 4,5m de largura e 9,5m de comprimento, tamanho que corresponde exatamente ao dos alicerces da Casa que existia em Nazaré. As pedras originais que foram trazidas da Palestina são as que vemos hoje nas paredes da Capela, até a altura de aproximadamente 3 metros. O restante são tijolos feitos na região. Apenas três paredes da Capela são feitas com pedras e tijolos, pois a parede de fundo é revestida de mármore, já que na Casa de Maria na Palestina, tal parede era uma gruta, escavada na pedra. A gruta ainda hoje é venerada na Basílica da Anunciação em Nazaré.



No interior da Capela de Loreto, encontramos uma imagem de Nossa Senhora de Loreto, feita de cedro do Líbano. A imagem é negra por causa da fumaça de inúmeras lâmpadas de azeite que ardiam dentro da Capela.



O revestimento de mármore é uma verdeira obra de arte e foi feito por vontade do Papa Julio II, (o mesmo que encomendou a Michelangelo a pintura da Capela Sistina, em Roma). O Papa Julio II contratou os melhores artistas italianos da época, entre eles Bramante. O monumento feito em mármore narra os principais fatos da história de Maria como por exemplo, o Nascimento e o Esposalício da Virgem, a Anunciação do Anjo Gabriel, o Nascimento de Jesus e a adoração dos Reis Magos.

A Basílica que guarda este tesouro, foi iniciada somente em 1468. Possui oito altares laterais e o mais importante é o primeiro a esquerda (de quem entra). Ao redor da Casa Santa foram construídas nove capelas conhecidas pelo nome da nação que custeou a sua pintura, como por exemplo, a Capela Suiça, a Capela Espanhola, etc.


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Breve resumo da vida de Enzo Ferrari

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No post anterior conhecemos um pouquinho de Maranello, famosa principalmente por ser a sede da Scuderia Ferrari. Hoje vamos falar um pouquinho de Enzo Ferrari, o fundador dessa verdadeira máquina de sonhos chamada Ferrari.

A vida de Enzo Ferrari:

1898 – No dia 18 de Fevereiro nasce a Modena Enzo Ferrari. O pai de Enzo era proprietário de uma oficina mecânica que possuia aproximadamente 30 empregados.

1908 - Aos 10 anos, acompanhado do seu pai, Enzo Ferrari assiste pela primeira vez uma competição automobilista. Era o ano de 1908 e os pilotos eram Vincenzo Lancia e Felice Nazzaro.

1917 – Deveria ser a alistado no Terceiro Regimento de Artilharia Alpina, mas adquire uma pulmonite ou uma pleurite. Foi internado no hospital como doente potencialmente incurável.

1918 – Após a cura da doença, vai até Turim a procura de um emprego na industria automobilistica. Encontra diversos empregos antes de se transferir a Milão para trabalhar na CMN (Construzioni Meccaniche Nazionali).

1919 - Participa da primeira competição automobilistica pela CMN, a Parma-Poggio Berceto.

1920 -1929 – Compra uma Alfa Romeo, iniciando assim uma longa relação com a empresa, com a qual trabalhará seja como piloto nas competições, seja na criação e desenvolvimento dos automóveis.

1927 – É o gestor do Team da Alfa Romeo para a primeira Mille Miglia Brescia-Roma.

1929 – Funda a Scuderia Ferrari em Modena: compra e prepara carros da Alfa Romeo para competições de pilotos ricos e pilotos profissionais.

1932 – Em 19 de Janeiro nasce o seu primeiro filho, Dino Ferrari, com Laura Garello.

1934 – A Scuderia Ferrari se transforma em todos os efeitos no time de corridas da Alfa Romeo.

1938 – Enzo Ferrari retorna a Alfa Romeo como responsável do time da Alfa de corridas.

1940 – Enzo Ferrari deixa a Alfa Romeo e funda a sociedade Auto Avio Costruzioni em Modena onde constrói dois carros chamados 815, pois não poderá usar o nome Ferrari por causa de uma cláusula contratual com a Alfa Romeo.

1943 – Produz diversos retificadores e maquinários de precissão em Modena. Transfere a fábrica na nova sede de Maranello.

1945 – Nasce o segundo filho, Piero, com Lina Lardi, no dia 22 de maio.

1947 - Retorna as corridas automobilisticas. Desenha e constrói um carro que finalmente poderá usar o seu nome: a Ferrari 125 S. Somente três exemplares foram construídos naquele ano.

1948 – Uma Ferrari vence a Mille Miglia, competição de carros esportivos.

1949 – Uma Ferrari vence a 24 horas e Le Mans.

1951 – Primeira vitória de uma Ferrari na Fórmula 1 – GP de Silverstone.

1957 – A produção total da Ferrari supera a 100 exemplares por ano.

1961 – A Ferrari vence o campeonato de Construtores de Fórmula 1 pela primeira vez, com os pilotos Phil Hill e Wolfang von Trips.

1956 – O primeiro filho de Enzo, Dino Ferrari, morre devido a uma distrofia muscular no dia 30 de junho.

1963 – Enzo Ferrari desiste de vender a Scuderia Ferrari a Ford.

1969 – Enzo Ferrari fecha um acordo com a Fiat a qual cede 50% da empresa.

1971 – Pela primeira vez a Ferrari produz mais de 1.000 automóveis em um ano.

1975-1983 – Vence cinco títulos do campeonato de construtores da Fórmula 1 entre os anos de 1975 e 1983.

1987 – A Ferrari produz 4.000 automóveis em um ano.

1988 – Enzo Ferrari morre em Modena, aos 91 anos, no dia 14 de agosto.


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Maranello, a pátria da Ferrari

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A pequena cidade de Maranello, respira Ferrari por todos os poros e a primeira coisa que salta os olhos ao chegar a cidade é a grande quantidade de Ferrari estacionada pelas suas ruas. De fato, existe um grande número de agências que alugam o Cavallino Rampante (cavalinho empinado) para  dezenas de apaixonados que sonham em fazer um giro ou um test drive em uma Ferrari.

Dois nomes: Ferrari e Maranello. Somente uma emoção: paixão. Paixão que se traduz no mito do Cavallino Rampante, com a fábrica, o museu, o auditório Enzo Ferrari e mil e outras coisas que você percebe pelas ruas, estradas, praças e jardins. Maranello também é paixão pela tradição eno-gastronômica: aceto balsamico, prosciutto crudo (presunto cru, ou como é conhecido no Brasil, presunto de parma), parmigiano reggiano, lambrusco e nocino (licor de nozes).

Maranello é uma pequena cidade da Emilia-Romagna rodeada por doces colinas e que ainda mantém as característica de um pequeno burgo, onde a paixão pela natureza e pela tradição convivem em harmonia com a alta tecnologia da velocidade. Maranello é a terra que foi escolhida por Enzo Ferrari.

Os primeiros achados arqueológicos encontrados em Maranello foram datados na Idade do Bronze (1800-1000 a.C), mas sabemos que as legiões romanas ocuparam a zona entre os anos 189-179 a.C.



O nome Maranello provavelmente é derivado de uma família chamada Araldini ou Arardini que ali habitou e que era originária de uma comuna vizinha chamada Maranto. Por volta do século XI, a família Araldini construiu um castelo (que existe até hoje) e que foi reconstruido após o terremoto de 1501. Hoje o Castelo é propriedade privada e não é aberto a visita.


O que ver em Maranello


Maranello Biblioteca Cultura



Sede da biblioteca municipal em Maranello, a MABIC (Maranello Biblioteca Cultura) é um espaço multi funcional que também organiza reuniões, exposições e atividades culturais.

O edifício foi projetado pelo arquiteto japonês Arata Isozaki e Andrea Maffei, e foi inserido em um contexto de excelência arquitetônica. Caracterizado por formas e transparências sinuosas, o MABIC é refletido no espelho de água que o rodeia. O MABIC é um espaço aberto, em diálogo com o mundo exterior, onde a cultura tradicional do livro coexiste com as mais avançadas tecnologias.

O Cavallino Rampante (Cavalinho Empinado)



O cavalo empinado é o símbolo oficial da Ferrari. Ele foi utilizado durante a Primeira Guerra Mundial pelo aviador italiano Francesco Baracca (1888-1918). Em 1923, o Cavalinho foi dado de presente pela mãe de Baracca para dar sorte a Enzo Ferrari.

Em junho de 2017, a administração da cidade inaugurou uma escultura dedicada ao cavalo empinando. Instalado na rotatória no centro da cidade, a escultura está localizada no coração geográfico e simbólico da cidade: um cartão de visita muito impressionante que acolhe aqueles que chegam no centro de Maranello. A escultura mede 3 metros de altura.

O Museu Ferrari



O Museu Ferrari em Maranello mostra a Ferrari de hoje e de amanhã, afundando as araízes na história extraordinária do cavalo empinando. Possui uma exposição permanente dedicada à Fórmula 1 e os Campeonatos Mundiais, além de exposição de várias Ferraris esportivas.

Para os visitantes, muitas outras atrações: uma sala de cinema com projeção contínua de filmes temáticos, simuladores de Fórmula 1, um grande Ferrari Store e uma acolhedora cafeteria.

O Red Garden



Instalada em 2017, a realização artística dos jardineiros da cidade de Maranello quer representar a centralidade da Ferrari no automobilismo. O mundo é representado de uma maneira estilizada, com os meridianos e paralelos que formam uma espécie de bandeira quadriculada, feitos com pedrinhas brancas e pretas além do verde do gramado. A parte central da composição o famoso símbolo da Ferrari: o cavalo empinado, fabricado a partir de uma única peça de madeira. Eis uma oportunidade  perfeita para uma foto de grupo!

Monumento a Enzo Ferrari



Doada em 1998 por Piero Ferrari a Maranello, em ocasião do centenário do nascimento de seu pai, o monumento a Enzo Ferrari é uma estátua de bronze de mais de cinco metros de altura que retrata as etapas mais significativas da vida do fundador da Ferrari.

O monumento foi criado pelo escultor Modenese Marino Quartieri e está localizado na praça central de Maranello, Praça da Liberdade, junto à Câmara Municipal, para testemunhar a estreita ligação entre a Ferrari e a cidade.

A Igreja de San Biaggio



A igreja de San Biagio foi construída entre 1894 e 1903. Ela passou por inúmeras intervenções ao longo dos séculos, o que contribuiu grandemente para a sua transformação e evolução progressiva até chegar a sua atual estrutura arquitetônica, que difere do projeto original, especialmente por causa da presença de uma imponente torre do sino construída entre 1900 e 1913.

Aceto Balsamico e Parmigiano Reggiano




Estando em Maranello não deixe de visitar uma Acetaia, (local onde se produz o aceto balsamico) e não deixe de degustar o queijo parmesão, pois a cidade faz parte da zona de produção do parmigiano reggiano.

domingo, 26 de março de 2017

O que ver em San Gimignano

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San Gimignano é uma pequena cidade fortificada localizada entre Florença e Siena. É famosa acima de tudo pela sua arquitetura e por suas belas torres medievais que fazem o perfil exclusivo da cidade.

Para conhecer um pouco da história de San Gimignano, leia o nosso post As origens de San Gimignano.

Muitos viajantes dedicam a San Gimignano um visita breve, mas a cidade, apesar de ser pequena, oferece muita coisa interessante para visitar e vale a pena reservar pelo menos um dia inteiro para descobrir os seus segredos. O Notícias da Bota preparou uma lista das atrações imperdíveis de San Gimignano.

O que ver em San Gimignano:


  1. Percorrer a Via San Giovanni (a antiga Via Francigena)

Aconselho entrar pela cidade através da Porta San Giovanni (tem um estacionamento a pagamento próximo) e percorrer a rua que recebe o mesmo nome até o centro da cidade. Na Via San Giovanni você encontrará diversas lojas com produtos típicos como a Vernaccia e o açafrão, além de produtos de artesanato local.

  1. Piazza della Cisterna (Praça da Cisterna)

De forma triangular, recebebeu esse nome em 1273, por causa da cisterna medieval construida para o uso público, localizada no centro da praça. A praça é emoldurada por casas torres e palácios cujo fascínio se manteve praticamente intacto ao longo do tempo. Aproveite para saborear um dos melhores sorvetes da Toscana na famossísima Gelateria Dondoli. A dica é experimentar o sorvete Creme de Santa Fina, que é feito com açafrão, um dos produtos típicos de San Gimignano desde da época medieval.

  1. Piazza del Duomo – Collegiata di Santa Maria Assunta

Próximo a Piazza della Cisterna encontramos a Piazza del Duomo. A bela Collegiata di Santa Maria Assunta, também chamada de Duomo, foi construída no século XII e é caracterizada por uma escadaria e uma fachada sem adornos.

No seu interior são preservados uma série de obras-primas, como o Martírio de São Sebastião feito de Benozzo Gozzoli, as estátuas de madeira de Jacopo della Quercia, os afrescos de Lippo Memmi e Federico (Histórias do Novo Testamento) e cenas do Antigo Testamento de Bartolo di Fredi.



Não deixe de visitar a Capela de Santa Fina, verdadeira obra-prima da arquitetura renascentista de Giuliano e Benedetto da Maiano. A Capela é afrescada com cenas que contam a vida de Santa Fina, obra do fiorentino Domenico Ghirlandaio.

  1. Piazza del Duomo – Palazzo del Podestà, Museu Civico e Torre Grossa

No lado esquerdo da Piazza del Duomo, surge o Palazzo del Podestà. É um dos monumentos mais importantes da cidade com as suas salas ricas de história e arte. A construção desse imponente edifício foi iniciada no ano de 1288 para ser a sede do governo da cidade. O Conselho do governo se reuniu ali pela primeira vez dez anos depois, em 23 de dezembro de 1298.

Atualmente o Palazzo del Podestà hospeda o Museu Cívico onde é possível admirar obras-primas das pinturas senese e florentina dos séculos XII e XIII.

Do lado esquerdo da fachada do Palazzo del Podestà podemos admirar a Torre Grossa, construida no ano de 1298 e alta 54 metros, construida com tijolos e revestida de pedra. Do alto da Torre Grossa é possível admirar uma paisagem estupenda da Toscana.

  1. Passear pela antiga muralha
Saindo da Piazza della Cisterna, retornando em direção a Via San Giovanni, você encontrará um arco na Via San Matteo. Siga as indicações do “giro delle mure”. Em seguida você encontrará um verdadeiro terraço onde é possível admirar um das vistas mais bela da cidade, cenário perfeito para grandes fotografias. Seguindo a indicação para a casa natal de Santa Fina, você encontrará um itinerário longo a antiga muralha, repleta de ruas estreitas, subidas e descidas, longe da grande massa de turistas.

  1. As fontes medievais

Visitar as fontes medievais pode representar uma grande vontade de caminhar, principalmente subir e descer as ladeiras de San Gimignano. Para isso você irá precisar de tempo e sapatos confortáveis. Mas no final, o esforço vale a pena! Partindo da Piazza della Cisterna, siga em direção a Via del Castello e depois Via Santo Stefano. No final da ladeira, você passará pela Porta alle Fonti. Desça mais um pouco e em seguida, a direita você encontrará as antigas fontes medievais. A fonte central é a mais antiga, construida por volta do ano 1.100. A fonte da direita é datada do ano 1.200 e a da esquerda de 1300.

A Porta alle Fonti é um dos pontos imperdíveis para fotografar as torres de San Gimignano

  1. Visitar a Galeria de Arte Moderna e Contemporanea, Spezieria di Santa Fina e Museu Arqueológlico

A Galeria de Arte Moderna e Contemporanea, Spezieria di Santa Fina e o Museu Arqueológico se encontram todos no mesmo lugar: no ex Conservatório de Santa Chiara (Santa Clara), localizado na Via Folgore, 11.

A Galeria de Arte Moderna hospeda exposições de grandes representantes da arte moderna e contemporanea. A Spezieria de Santa Fina, possui no seu acervo um conjunto de recipientes cerâmicos de período renascentista e o Museu Arqueológico, exibe objetos de idade etrusca, romana e medieval (especialmente de vidro e cerâmica).

  1. Igreja de Santo Agostinho

No encantador centro histórico de San Gimignano encontramos a Piazza di Santo Agostino, cercada por fileiras de casa que fazem dali um local tranquilo, longe da rota turistíca. No centro da praça podemos admirar um poço e ao lado duas igrejas. Uma das Igrejas é intitulada a Santo Agostinho, que dà o nome a praça. Santo Agostinho, após o Duomo, é a igreja mais importante de San Gimignano e preserva obras-primas de escultura e pinturas de artistas da Idade Média e do Renascimento. No seu interior não deixe de visitar a Capela de San Bartolo (obra de Benedetto da Maiano) e a capela principal da igreja (onde se encontra o altar-mor). A capela principal contém afrescos de Benozzo Gozzoli que contam a vida de Santo Agostinho.

  1. A Rocca di Montestaffoli

A Rocca di Montestaffoli é uma etapa imperdível para amantes de um belo cenário. Além de admirar as ruínas da Rocca contruida pelos florentinos em 1353 para confirmar a sua hegemonia no território.

  1. Visitar a Torre e Casa Campatelli

Aberta ao público em abril de 2016, a Torre Campatelli é uma das quatorze torres medievais que caracterizam o panorama de San Gimignano. A Torre e Casa Campatelli é um palácio do século XVIII e era nos últimos séculos a residência de uma família da burguesia local. Os seus quartos, móveis, decorações e pinturas nos fazem mergulhar na atmosfera e na vida diária de uma família típica da Toscana de outrora.


Para terminar a visita, não deixe de admirar o clima medieval da cidade, degustando uma bela taça de Vernaccia.

Bom passeio!

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O sítio arqueológico de Paestum

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No sudeste do Golfo de Salerno, surge Paestum, um sítio arqueológico muito importante, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade.

O sítio está localizado no Município de Carpaccio na província de Salerno. Fundada pelos gregos em torno do século VII a.C. com o nome de Poseidonia, Paestum foi posteriormente ocupada pelos lucani até que, em 273 a.C, foi transformada pelos romanos em uma colônia próspera, dando-lhe o seu nome atual. O início da Idade Média marcou seu declínio irreversível.

Além do valor cultural, a importância de Paestum está ligada ao excelente estado de conservação dos seus monumentos e da grande muralha que foi construída pelos gregos e depois reforçada pelos Lucani e pelos romanos.


Poseidonia-Paestum oferece aos visitantes uma oportunidade única: "ler" a sua longa história através dos monumentos que viajaram através do tempo. Os três templos com os seus altares, a praça principal da cidade grega (Agora) com os seus edifícios históricos, como do túmulo do herói fundador (heroon) e a estrutura circular para as assembléias (ekklesiasterion), são os sinais mais óbvios da fase grega de Paestum.

Com a chegada dos romanos os templos não sofreram alterações, mas na cidade foram construídas novas instalações: o Fórum, o espaço político e comercial, o anfiteatro, onde eram realizados duelos entre gladiadores e animais e o Campus, onde os romanos praticavam esportes. Nas piscinas, as mulheres provavelmente praticavam ritos em favor da fertilidade. Existiam também muitas casas aristocráticas, entre os quais uma com a piscina que media cerca de 2.800 metros quadrados.



O que é mais impressionante em Paestum é a visão dos três majestosos templos construidos em uma planície verde. Muitos escritores, poetas e artistas como Goethe, Shelley, Canova e Piranesi ficaram fascinados com esse espetáculo que acabou virando fonte de inspiração. Estes grandes edifícios são um exemplo extraordinário de estilo dórico.

O Templo de Hera, chamado também de Basilica, data do século VI. a.C, é o mais antigo dos três templos. Dessa período crucial na formação da arquitetura grega, o Templo de Hera é o melhor templo grego conservado em todo mundo. O templo provavelmente era dedicado a Hera, esposa de Zeus e principal divindade adorada em Poseidonia. Hera é a deusa da fertilidade, da vida e do nascimento, protetora do casamento e da família. O templo possui nove colunas na parte frontal e 18 colunas nas partes laterais.



O Templo de Netuno é uma grandiosa construção em travertino, possui uma a cor dourada que varia de tom em diferentes horas do dia. É uma verdadeira jóia da arquitetura dórica: imponente e elegante. É o maior templo de Paestum e o melhor preservado. Feito em meados do século V. a.C. No mesmo período, em Olímpia, na Grécia, foi construído o grande templo de Zeus, que, no entanto, não está tão bem conservado como o templo de Netuno de Paestum.

O Templo de Ceres (século VI a.C), na verdade, é o único templo que sabemos com certeza a qual divindade era dedicado: Atena, deusa da sabedoria e da guerra. Na Idade Média, foi transformado em uma igreja e podemos ainda obsevar na parede externa três túmulos cristãos. Localizado no ponto mais alto da cidade, ao norte dos espaços públicos, o templo da deusa e guerreira dominava a área.

Como funcionava um templo grego?



A leste do templo de Atena (o lado virado para a estrada moderna) você encontrará um enorme altar de pedra. Aqui eram sacrificados os animais durante as festas dedicadas a deusa, acompanhados por música e rituais de vários tipos.

As sacerdotisas e sacerdotes eram os cidadãos comuns que por um determinado período de tempo assumiam esse cargo, não havia nenhuma casta sacerdotal.

Enquanto o culto acontecia ao ar livre, ao redor do altar, o templo era considerado como o lar dos deuses, representados por uma estátua colocada na célula (uma pequena sala no interior do templo) onde o deus “observava" os sacrifícios que aconteciam do lado de fora.


Numa noite de verão, uma caminhada neste cenário magnífico, com música e luzes, animam o percurso do visitante, oferecendo a oportunidade de mergulhar em uma atmosfera única, entre as obras das grandes civilizações do passado.

O sítio arqueológico é aberto todos os dias das das 08;30 às 19:30h. 

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Benvenuto Brunello 2017

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Fevereiro é um mês especial para amantes de vinhos na Toscana pois acontece um série de eventos ligados a cultura enogastronomica. No post anterior falamos do Anteprima do Vino Nobile de Montepulciano e hoje vamos falar do Benvenuto Brunello 2017.

O Consorzio del vino Brunello organiza em Montalcino no mês de Fevereiro de cada ano, um evento chamado "BENVENUTO BRUNELLO".  Trata-se de um evento onde será apresentado à imprensa os novos vinhos Brunello introduzidos no mercado neste ano, ou seja, o Brunello safra 2012. Durante o evento serão anunciadas as estrelas atribuídas ao futuro Brunello, da última vindima (colheta 2016), além de claro, da colocação da placa comemorativa da colheita 2016 e da entrega dos Prêmios Leccio d'Oro . 

Saiba mais sobre o Brunello: Sua majestade, o vinho Brunello

Placas e estrelas 

As placas comemorativas do Benvenuto Brunello dos anos anteriores expostas em Montalcino

Passeando pela ruas de Montalcino, você encontrará as diversas placas comemorativas do Benvenuto Brunello dos anos anteriores. Cada ano, de acordo com a avaliação do Consórcio do vinho Brunello, cada safra é premiada com estrelas - a melhor safra recebe cinco estrelas. Segundo a avaliação feita no Benvenuto Brunello de 2013, a safra de 2012, que entrará no mercado este ano, recebeu 5 estrelas.

Placa comemorativa Brunello safra 2015 apresentada no Benvenuto Brunello edição 2016
Confesso que estou muito curiosa para ver a placa comemorativa da safra 2016, além de claro, saber quantas estrelas a safra irá receber!

Prêmios Leccio d'Oro


Todos os anos o Consorzio del Vino Brunello di Montalcino entrega um prêmio denominado Leccio d'Oro (leccio é a árvore símbolo de Montalcino). O prêmio é dividido em três categorias: restaurantes, enotecas e osterias. 

Os prémios são atribuídos aos locais que possuem a lista de vinhos com uma ampla gama de vinhos Brunello di Montalcino e de outros vinhos de Montalcino, tanto em relação as várias safras, tanto no número de empresas produtoras de Brunello. É avaliado o serviço e apresentação do local em relação às necessidades específicas do Brunello di Montalcino e dos outros vinhos Montalcino. Também é avaliado o nível de conhecimento em relação à realidade da região, a produção e as características do vinho Brunello.

Vinhos em degustação no Benvenuto Brunello 2017


No Benvenuto Brunello 2017, os seguintes vinhos serão apresentados e degustados:

  • Brunello di Montalcino safra 2012;
  • Brunello di Montalcino Riserva safra 2011;
  • Rosso di Montalcino safra 2015;
  • Moscadello di Montalcino;
  • Sant'Antimo.

Outras informações:



Onde: Chiostro Museo di Montalcino, na via Ricasoli no. 31 - Montalcino
Horário: das 09:30 às 17:00 horas
Quando: de 17 a 20 de fevereiro de 2017 - Os dias 17 e 18/02 são reservados a imprensa. O público em geral poderá participar nos dias 19 e 20/02.
Preço: 36,05 euros por pessoa

Você poderá comprar o seu bilhete através do site VivaTicket.

Tim, tim!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Anteprima Vino Nobile de Montepulciano 2017

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A Toscana é o paraíso para os amantes de bons vinhos. E o ano inicia-se com diversos eventos ligados a enogastronomia e um deles é o tema do post de hoje: o Anteprima Vino Nobile di Montepulciano 2017.

O Anteprima Vino Nobile di Montepulciano 2017 é um evento organizado e promovido pelo Consorzio del Vino Nobile di Montepulciano em colaboração com a Associazione Vivi Montepulciano, La Strada del Vino Nobile e com o patrocínio da comuna de Montepulciano.



Na sua 24a. Edição, o evento oferece ao grande público apaixonado por vinhos a possibilidade de degustar um dos melhores vinhos do mundo em um local mágico e único, a Fortezza Medicea de Montepulciano, além de claro ter a oportunidade de conhecer e quem sabe trocar duas palavras com os grandes produtores de Vino Nobile di Montepulciano.

Será possível degustar o Vino Nobile safra 2014 (a que está pronta para entrar no mercado), após dois anos de evolução imposto pelo disciplinar de produção do consórcio do vinho Nobile, além da Riserva 2013 safra quatro estrelas, e ainda outros vinhos produzidos na região.

O vinho Nobile de Montepulciano D.O.C.G



Se é verdade que o vinho eleva os animos e os pensamentos, Montepulciano foi por séculos um grande centro de atividades artística e poética. É nesse cenário que nasce um dos vinhos mais importantes do mundo, o vinho Nobile de Montepulciano.

O Vino Nobile de Montepulciano é um vinho límpido, brilhante, de cor rubi tendendo ao granada com o envelhecimento e é caracterizado por um perfume intenso e persistente com toque de madeira aromática, frutas e vegetação de bosque e composta de geléias.

Depois de séculos de produção na zona de Montepulciano, o Vino Nobile foi reconhecido no ano de 1996 como D.O.C (denominação de origem controlada). Em julho de 1980, o vinho Nobile foi o primeiro vinho italiano a receber a denominação de origem controlada e garantida (D.O.C.G).

A produção do vinho Nobile é regulamentada de um disciplinar de produção que diz o seguinte:

Uva: As uvas utilizadas são o Sangiovese, que em Montepulciano recebe o nome de Prugnolo Gentile (mínimo 70%), podendo ser utilizados também (máximo de 30%) variedades de uvas vermelhas complementares adequadas para cultivo na região da Toscana, enquanto uvas brancas não excedam 5%;

O vinho só pode ser comercializado depois de dois anos de maturação (três para o Riserva) e em qualquer caso, depois de passar por controles rigorosos e testes organolépticos realizados por uma comissão ministerial química;

A vinificação e a maturação devem ocorrer obrigatóriamente na comune de Montepulciano.

Safra de 2014


Os vinhos de 2014 são em geral de boa qualidade. As primeiras degustações feitas depois da fermentação maloláctica, foram apreciadas com cores muito vivas, toque frutado e corpo médio apoiado com taninos sutis. No nível analítico, os níveis de álcool estão entre 13 e 13,5% vol, a acidez é de nível médio.
Em síntese, tratam-se de vinhos finos e elegantes, mas não com grande longevidade. (fonte: Consorzio del Vino Nobile).

Produtores presentes no Anteprima Vino Nobile de Montepulciano 2017:

Informações úteis:

  • Data: 11, 12 e 13 de fevereiro de 2017.
  • Endereço: Fortezza Medicea de Montepulciano – Via San Donato, 21 (poucos passos da Piazza Grande).
  • Horários: Sábado 11/02: das 14 às 18:30h – Domingo 12/02 e Segunda-feira 13/02: das 11 às 18:30h.
  • Preço: 10 euros

Mais informações:
tel.  0039 0578-757812

domingo, 29 de janeiro de 2017

O Museu do Palazzo Davanzati em Florença

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Quando um museu tem a característica de ser uma casa, oferece a oportunidade de descobrir algo sobre a vida diária na época medieval: é o caso do Museu do Palazzo Davanzati em Florença que, embora ligado a uma família rica, nos permite conhecer aspectos curiosos e também interessantes de pessoas comuns. O Palácio recebe o nome da família que viveu ali entre os anos de 1578 a 1838: os Davanzati. É possível ver na fachada, o enorme brasão dos Davanzati. 

Construído pela família Davizzi em meados do século XIV, o Palácio tem uma aparência medieval no edifício em forma de torre, mas anuncia novos modelos de arquitetura, popular no Renascimento, com a presença de um pátio no seu interior. O Museu do Palazzo Davanzati, conhecido também como o Museu da Antiga casa fiorentina, foi inaugurado no ano de 1956. 


Magnífico e singular exemplo de casa medieval em Florença, o edifício foi construído incorporando algumas casas-torres pela família Davizzi na metade dos anos de 1300. No ano de 1578, o palácio foi comprado pela família Davanzati, a qual deu o nome ao palácio e que alí habitaram até o ano de 1838. A visita no palácio segue em diversos ambientes e andares e oferece um percurso muito sugestivo onde é possível compreender como se vivia em Florença seiscentos anos atrás. 

O Museu constituí um tesouro inestimável e pouco conhecido pelo público. Geralmente indico esse museu para as famílias que viajam com crianças. Alguns detalhes fazem com que o Palácio Davanzati seja um grande exemplo de residência de luxo, construído por uma família de ricos comerciantes florentinos como por exemplo um banheiro para cada quarto, um poço que fornece água limpa para todos os andares e uma decoração pictórica valiosa que decora os quartos. Cada um destes aspectos indica um luxo que certamente não era normal para a época. 

O Museu:

Sala Mandornale 


Ambiente situado no segundo piso e muito luminoso por causa da presença de cinco grandes janelas. Esta sala tinha a função de representação, ou seja, local de festa e dos grandes banquetes. Nessas ocasiões as paredes da sala eram decoradas com "arazzi" (tapetes de paredes ricamente decorados) que serviam também para aquecer o ambiente. No piso, existem diversas aberturas chamadas de "piombatoio" de defesa que serviam para jogar azeite quente em caso de assédio do palácio. A criançada adora!


Sala dos Papagaios 


Outro ambiente interessante do Museu Davanzati é a Sala dos Papagaios, que recebe esse nome por causa dos pequenos papagaios afrescados em toda a parede. Decorar as paredes dos ambientes de casa com pinturas era algo muito usado em Florença. Reparem que a pintura parece uma grande cortina de parede. O ambiente era utilizado como sala de jantar, onde eram servidos os alimentos. A mesa é do Século XVI e a grande lareira podemos ver o brasão da família Davizzi, os primeiros proprietários do palácio. 


Sala dos Pavões 
Chamada assim por causa dos pavões representados na pintura das paredes. Era um dos quartos do palácios, local onde as mulheres passavem a maior parte do dia, seja rezando, costurando ou recebendo as amigas.  

A cozinha: 


Localizada no último piso por razões de segurança em caso de incêndio (risco muito presente nos tempos medievais) e também para dipersar os cheiros de comida e a fumaça. O ambiente possui uma enorme lareira para cozinhar os alimentos, as prateleiras embutidas para colocar os utensílios, as ferramentas para trabalhar a farinha, a manteiga ou tecer ... nos ajuda a imaginar como era a vida naquela época. 

O poço 

Tê-lo na casa era um grande luxo no século XIV, mas acima de tudo era um grande conforto, uma vez que evitava ter que ir a uma fonte pública, talvez distante, para obter água. Além disso, o poço permitia que a água fosse disponível em todos os andares da casa, graças às aberturas e uma roldana: era quase como ter água corrente em casa! 

Banheiros 


Ter um banheiro em casa para nós parece normal, mas se tornou um hábito apenas após a Segunda Guerra Mundial. No Palácio Davanzati, porém, cada quarto possui um banheiro, uma verdadeira suíte, ricamente adornada com pinturas, já na metade do século XIV!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

As catacumbas dos Capucinhos em Palermo

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Um local suspenso entre a vida e a morte

A mumificação é uma tradição muito antiga, principalmente na Sicilia e as Catacumbas dos Frades Capuchinhos de Palermo constituem a maior expressão dessa tradição devido ao grande número de corpos que ali são conservados. Uma visão surpreendente e fascinante que mostra o desafio do homem diante da imortalidade.

O estado de conservação dos inúmeros cadáveres expostos no Convento dos Frades Capuchinhos de Palermo, conhecido como as Catacumbas dos Capuchinhos de Palermo é um dos lugares mais impressionantes para visitar no mundo.

Um espetáculo medonho que evidencia os usos, costumes e tradições da sociedade da cidade de Palermo do século XVII ao século XIX.

Na parte subterrânea do convento dos frades capucinhos de Palermo são expostos alguns corpos, uns são mumificados e outros sobraram apenas os esqueletos. São restos mortais de alguns frades e de nobres palermitanos, divididos por sexo e profissão e que são vestidos com as suas melhores roupas, algumas já danificadas pelo tempo e pelas traças. 

Origens das catacumbas de Palermo



As Catacumbas dos Capuchinhos de Palermo foram construídas como um local de sepultamento dos frades do convento e o  seu crescimento foi, de certa forma, resultado do acaso.

Os frades capucinhos se estabeleceram em Palermo, na igreja Santa Maria della Pace por volta do ano de 1534. Eles criaram uma espécie de cemitério escavando uma fossa, que parecia mais uma cisterna, debaixo do altar de Sant'Ana. Nessa fossa/cisterna, eram colocados os defundos enrolados em lençóis.

Depois de pouco tempo, a fossa não era suficiente e assim no ano de 1597 os frades decidiram construir um cemitério maior, iniciando assim a escavarem a catacumba (assim era chamado qualquer cemitério subterrâneo, de acordo com a disposição Papal de 380 d.C.) atrás do altar principal, utlizando algumas grutas que já existiam. Finalmente depois de dois anos, o novo cemitério era pronto.

Quando foram transferidas as relíquias dos frades que foram enterrados na primeira fossa/cisterna para o novo cemitério,  surpreendentemente, foi descoberto que quarenta e cinco corpos permaneceram praticamente intactos, naturalmente mumificados. O fato foi interpretado como um sinal de benevolência celestial, e os frades decidiram não enterrar mais esses corpos, mas expô-los em pé dentro de nichos em todas as paredes do primeiro corredor das catacumbas.



Ao longo do corredor central podemos ver os chamados colatoi, ou seja, as celas onde eram colocados os cadáveres para ressecarem. No final da primeira escada encontramos o cadáver de Fra Silvestre di Gubbio, o primeiro frade que ali foi mumificado morto no ano de 1599.

Um pouco de história

A descoberta de 45 corpos mumificados naturalmente trouxe um grande fama ao convento e os frades começaram pouco a pouco a acolher sempre mais corpos nas catacumbas até que em 1783 foi decidido que qualquer pessoa que pudesse arcar com o alto custo de uma mumificação poderia ser sepultada nas catacumbas. Foi assim que as Catacumbas dos Frades Capucinhos de Palermo cresceram com a construção de novos corredores. O que deveria ser um cemitério privativo dos frades se transformou em uma espécie de museu da morte.



A partir de 1600 até 1800, milhares de pessoas, principalmente personagens ilustres  e nobres sicilianos decidiram sepultar os seus parentes nas catacumbas dos frades capucinhos. Em troca de doações, os nobres sicilianos se submeteram ao processo de mumificação natural, metódo que foi aperfeiçoado pelos frades capucinhos com o decorrer do tempo. 

Por que os nobres sicilianos queriam ser mumificados e expostos nas catacumbas?

Juntamente com desejo do defundo de conservar o corpo a todo custo, mesmo depois da morte se somava a possibilidade dos familiares dos defundos de chorar e acima de tudo de poder ver, conversar e visitar seus entes queridos. Provavelmente foi uma forma que os nobres encontraram para que as pessoas amadas fizessem ainda parte do mundo dos vivos.

No século XIX o cemitério foi fechado, principalmente por causa das novas leis sanitárias que previam que os mortos fosse enterrados em locais mais apropriados, longe dos centros urbanos. No século XX foi aberta duas exceções:  em 1910 foi mumificada Giovanni Paterniti, vice consul dos Estados Unidos e em 1920, foi colada a última mumia nas catacumbas. 

A mumia de Rosalia Lombardo

Trata-se de Rosalia Lombardo, uma criança morta com apenas dois anos de idade e hoje considerada a mumia mais bela do mundo. A mumia de Rosalia, é algo impressionante. Tomei um susto, pois ela é conservada de forma perfeita, parece uma criança que dorme.

Minhas considerações:

O museu é macabro, dá arrepios, mas serve para refletirmos que somos todos iguais e não levamos nada desde mundo. As roupas ricas que foram colocadas nas mumias dos nobres, não servem para o "outro lado". 

Fico imaginando como as catacumbas deveriam ser movimentadas. Milhares de pessoas que visitavam aquele lugar para tentar preencher o espaço vazio que o seu ente querido deixou antes de partir desta para melhor. Bizarro, né?!

Informações úteis:
  • As Catacumbas são abertas todos os dias. De outubro a março as catacumbas fecham no domingo a tarde;
  • Horário: das 09 às 13 horas e das 15 às 18 horas;
  • Preço do bilhete de entrada: 3 euros;
  • Endereço: Piazza Capuccini, 1 - Palermo.
Não é possível fotograr durante a visita, por isso todas as fotos pertecem ao site oficial: www.catacombeparlermo.it - Fotos: Carlo Vannini

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