Noticias da Bota: arte, vida e turismo na Italia

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

As catacumbas dos Capucinhos em Palermo

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Um local suspenso entre a vida e a morte

A mumificação é uma tradição muito antiga, principalmente na Sicilia e as Catacumbas dos Frades Capuchinhos de Palermo constituem a maior expressão dessa tradição devido ao grande número de corpos que ali são conservados. Uma visão surpreendente e fascinante que mostra o desafio do homem diante da imortalidade.

O estado de conservação dos inúmeros cadáveres expostos no Convento dos Frades Capuchinhos de Palermo, conhecido como as Catacumbas dos Capuchinhos de Palermo é um dos lugares mais impressionantes para visitar no mundo.

Um espetáculo medonho que evidencia os usos, costumes e tradições da sociedade da cidade de Palermo do século XVII ao século XIX.

Na parte subterrânea do convento dos frades capucinhos de Palermo são expostos alguns corpos, uns são mumificados e outros sobraram apenas os esqueletos. São restos mortais de alguns frades e de nobres palermitanos, divididos por sexo e profissão e que são vestidos com as suas melhores roupas, algumas já danificadas pelo tempo e pelas traças. 

Origens das catacumbas de Palermo



As Catacumbas dos Capuchinhos de Palermo foram construídas como um local de sepultamento dos frades do convento e o  seu crescimento foi, de certa forma, resultado do acaso.

Os frades capucinhos se estabeleceram em Palermo, na igreja Santa Maria della Pace por volta do ano de 1534. Eles criaram uma espécie de cemitério escavando uma fossa, que parecia mais uma cisterna, debaixo do altar de Sant'Ana. Nessa fossa/cisterna, eram colocados os defundos enrolados em lençóis.

Depois de pouco tempo, a fossa não era suficiente e assim no ano de 1597 os frades decidiram construir um cemitério maior, iniciando assim a escavarem a catacumba (assim era chamado qualquer cemitério subterrâneo, de acordo com a disposição Papal de 380 d.C.) atrás do altar principal, utlizando algumas grutas que já existiam. Finalmente depois de dois anos, o novo cemitério era pronto.

Quando foram transferidas as relíquias dos frades que foram enterrados na primeira fossa/cisterna para o novo cemitério,  surpreendentemente, foi descoberto que quarenta e cinco corpos permaneceram praticamente intactos, naturalmente mumificados. O fato foi interpretado como um sinal de benevolência celestial, e os frades decidiram não enterrar mais esses corpos, mas expô-los em pé dentro de nichos em todas as paredes do primeiro corredor das catacumbas.



Ao longo do corredor central podemos ver os chamados colatoi, ou seja, as celas onde eram colocados os cadáveres para ressecarem. No final da primeira escada encontramos o cadáver de Fra Silvestre di Gubbio, o primeiro frade que ali foi mumificado morto no ano de 1599.

Um pouco de história

A descoberta de 45 corpos mumificados naturalmente trouxe um grande fama ao convento e os frades começaram pouco a pouco a acolher sempre mais corpos nas catacumbas até que em 1783 foi decidido que qualquer pessoa que pudesse arcar com o alto custo de uma mumificação poderia ser sepultada nas catacumbas. Foi assim que as Catacumbas dos Frades Capucinhos de Palermo cresceram com a construção de novos corredores. O que deveria ser um cemitério privativo dos frades se transformou em uma espécie de museu da morte.



A partir de 1600 até 1800, milhares de pessoas, principalmente personagens ilustres  e nobres sicilianos decidiram sepultar os seus parentes nas catacumbas dos frades capucinhos. Em troca de doações, os nobres sicilianos se submeteram ao processo de mumificação natural, metódo que foi aperfeiçoado pelos frades capucinhos com o decorrer do tempo. 

Por que os nobres sicilianos queriam ser mumificados e expostos nas catacumbas?

Juntamente com desejo do defundo de conservar o corpo a todo custo, mesmo depois da morte se somava a possibilidade dos familiares dos defundos de chorar e acima de tudo de poder ver, conversar e visitar seus entes queridos. Provavelmente foi uma forma que os nobres encontraram para que as pessoas amadas fizessem ainda parte do mundo dos vivos.

No século XIX o cemitério foi fechado, principalmente por causa das novas leis sanitárias que previam que os mortos fosse enterrados em locais mais apropriados, longe dos centros urbanos. No século XX foi aberta duas exceções:  em 1910 foi mumificada Giovanni Paterniti, vice consul dos Estados Unidos e em 1920, foi colada a última mumia nas catacumbas. 

A mumia de Rosalia Lombardo

Trata-se de Rosalia Lombardo, uma criança morta com apenas dois anos de idade e hoje considerada a mumia mais bela do mundo. A mumia de Rosalia, é algo impressionante. Tomei um susto, pois ela é conservada de forma perfeita, parece uma criança que dorme.

Minhas considerações:

O museu é macabro, dá arrepios, mas serve para refletirmos que somos todos iguais e não levamos nada desde mundo. As roupas ricas que foram colocadas nas mumias dos nobres, não servem para o "outro lado". 

Fico imaginando como as catacumbas deveriam ser movimentadas. Milhares de pessoas que visitavam aquele lugar para tentar preencher o espaço vazio que o seu ente querido deixou antes de partir desta para melhor. Bizarro, né?!

Informações úteis:
  • As Catacumbas são abertas todos os dias. De outubro a março as catacumbas fecham no domingo a tarde;
  • Horário: das 09 às 13 horas e das 15 às 18 horas;
  • Preço do bilhete de entrada: 3 euros;
  • Endereço: Piazza Capuccini, 1 - Palermo.
Não é possível fotograr durante a visita, por isso todas as fotos pertecem ao site oficial: www.catacombeparlermo.it - Fotos: Carlo Vannini

sábado, 14 de janeiro de 2017

O Castello Savoia em Gressoney

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A região italiana do Valle d'Aosta é famosa no mundo inteiro pelos seus castelos. Hoje, o protagonista do nosso post é o Castelo Savoia localizado em Gressoney.

Um pouco de história:

Realizado por vontade da Rainha Margherita di Savoia (isso mesmo, aquela que deu o nome a famosa pizza margherita!) que quando visitava Gressoney era hospede do Barão Beck Peccoz. O castelo surge aos pés dos Colle della Ranzola numa localidade chamava Belvedere em razão da explêndida vista que domina todo o vale. 

A primeira pedra do edifício foi colocada no dia 24 de agosto de 1899, na presença do rei italiano Umberto I, o qual infelizmente foi assassinado em Monza um ano depois. As obras do castelo só foram concluídas em 1904. 


O castelo hospedava a rainha durante as férias de verão já que o clima nessa zona é muito mais fresco. A última férias que a rainha Margherita passou no castelo foi a do ano de 1925, um ano antes da sua morte. A partir de 1981 o castelo é propriedade da Região do Valle d'Aosta.

O Castello di Savoia

Construído com um núcleo central retangular, o castelo possui cinco torres, uma diferente da outra. Foi projetado pelo arquiteto Emilio Stramucci (criador das decorações neo-barroca do Palácio Real de Turim e do Quirinale, em Roma), em estilo medieval, descrito como "o estilo Lombardo do século XV", bastante freqüentes na França e na Savoia, a região natal dos monarcas italianos. A parte externa do castelo é revestida com pedras cinzas e os afrescos que decoram as salas internas são obras do jovem pintor e restaurador Carlo Cussetti.


O castelo possui três andares: no piso térreo, salas de estar;  no segundo piso, os apartamentos reais e o terceiro andar (não aberto aos visitantes), era reservado para os cavalheiros da corte. A parte subterrânea era reservada para os vinhos. A cozinha era localizada fora do castelo e era ligada a Sala di Pranzo (almoço), através de uma Decauville subterrânea.

Todos os móveis  em exposição no castelo são originais, bem como tapeçarias que adornam as paredes.



Para visitar o Castello di Savoia, é necessário colocar um sapatinho especial fornecido pelo museu para não danificar o piso que é original. Toda a visita é acompanhada por um funcionário do castelo. É possível visitar o andar térreo e o andar nobre.  Além dos móveis e da rica decoração é muito interessante ver as fotos antigas que retratam como a Rainha Margherita passava suas férias no castelo.

Mais informações:

Castello Savoia
Località Belvedere
11025 GRESSONEY-SAINT-JEAN (AO)
  • Telefono:
    (+39) 0125 355396

domingo, 8 de janeiro de 2017

A Pietà Bandini de Michelangelo

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Aos 80 anos de idade, Michelangelo começou a pensar insistentemente sobre um tema que um dia, mais cedo ou mais tarde, todos nós conheceremos: a morte. Foi neste momento que nasceu mais uma obra prima do grande mestre do Renascimento: a Pietà Bandini, mais conhecida como a Pietà da Opera do Duomo.

Se as obras do jovem Michelangelo procuravam extrair da matéria a beleza ideal como forma de representar a perfeição absoluta, nos anos da maturidade, as obras do escultor são caracterizadas por uma visão do mundo onde domina famoso “non finito”, ou seja, o não terminado, o incompleto.

Michelangelo inicia a esculpir a Pietà Bandini (nome do primeiro proprietário da obra) no ano de 1547, pensando num monumento funerário para a própria sepultura.

O grupo de escultura representa o corpo de Cristo deposto da cruz, sustentado por três personagens: a direita Maria Madalena, no centro Nicodemos (o qual o escultour emprestou o seu próprio rosto) e Maria, mãe de Jesus, à esquerda.

O autorretrato de Michelangelo

Observando a obra, podemos perceber que a mesma é incompleta e que algumas partes da obra foram destruídas. De fato, Giorgio Vasari explica no livro “Vidas dos Artistas” que Michelangelo teve um ataque de ira, provavelmente porque o mármore não era de boa qualidade e que o grande mestre do Renascimento, martelou literalmente a obra em diversos pontos, com a intenção de destruí-la.

Apesar dos grandes danos sofridos, ainda é possível admirar a sabedoria compositiva do gênio que conseguiu dar ao grupo de escultura uma espécie de animação espiritual.

Detalhe do non finito no rosto de Cristo e de Maria

Inicialmente a obra foi colada na “villa romana” de Francesco Bandini. Após a morte de Michelangelo, Giorgio Vasari solicitou, em vão, que a obra fosse transferida para Florença, para ser colocada na sepultura de Michelangelo. Somente na segunda metade do século XVII, o Grão-Duque Cosimo III conseguiu trazer a obra para Florença, colocando-a na Cripta dos Médici na Basílica de San Lorenzo.

A partir de 1722 o grupo de escultura foi transferido para a Catedral Santa Maria del Fiore, onde permaneceu até 1981, quando finalmente foi para o Museu Opera del Duomo onde permanece até os dias de hoje.


domingo, 18 de dezembro de 2016

10 pratos típicos da Toscana

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No post de hoje vamos abordar 10 pratos típicos da Toscana e a intenção é lhe ajudar a conhecer um pouco mais sobre a gastronomia toscana para que você não deixe de provar aquele prato incrível na sua viagem. Tenho certeza que você será “pego pela boca” e ficará com vontade de retornar a Toscana.

Viajar pra mim não é somente visitar novos lugares, mas é acima de tudo mergulhar na cultura de um povo. Conhecer a gastronomia de uma região pode ser uma ótima maneira para iniciar uma viagem.

Antes de tudo você precisa saber que a gastronomia toscana é constituída principalmente por pratos e doces que mantiveram a sua receita inalterada durante muito tempo.

Na cozinha toscana vence a carne. Começando pela Bistecca alla Fiorentina, feita com a Chianina, (carne bovina que é produzida no Val di Chiana), seguida por capone (ave), coelho, faisão, carne de porco, javali e tripas. O peixe faz a sua aparição com a receita de Livorno, o Cacciucco. 

Muitos produtos desta terra são famosos em todo mundo, como azeite, o percorino e o saboroso lardo di colonnata. Os cereais também estão presentes na mesa dos toscano juntamente com legumes sopas, pão (sempre sem sal!). Mas a cozinha toscana também é doce, com uma alternância de gosto seco e macio: cantuccio, zuccotto, castagnaccio e os maravilhosos doces seneses, como o panforte, ricciarelli, etc.

Você pode gostar  também: A culinária fiorentina


10 pratos típicos da Toscana que você não pode deixar de provar!


Os pratos escolhidos fazem parte da cozinha tradicional de diversas cidades da Toscana. Tentei abranger o máximo possível dos pratos. 

Pappa al pomodoro


Este é uma dos pratos que possui os ingredientes mais simples, mais ao mesmo tempo mais amado do mundo. Como em todo prato da cozinha pobre, os ingredientes principais da Pappa al pomodoro é o pão duro (para aproveitar o que sobrou dos outros dias), tomates, manjericão e o azeite extra-virgem de oliva. Para que o prato seja perfeito, temos que utilizar tomates de alta qualidade e como diz a tradição toscana “pane sciocco” (pão sem sal).

Ribollita


A Ribollita é um dos pratos mais populares da Toscana e é uma sopa que contém vários tipos de couve, feijão, cebola e cenouras: uma mistura perfeita para enfrentar a estação fria. É um prato típico de inverno, não só porque ele deve ser servido muito quente, mas também porque um dos ingredientes principais é o cavolo nero (uma espécie de couve) que só nasce no inverno. Os ingredientes que compõem esse prato são muito simples, mas também nutritivos e saudáveis. Nesta receita, assim como na da Pappa al Pomodoro, o principal ingrediente é pão duro. O nome do prato sugere como ele foi feito – Ribollita (requentado): o que sobrou do dia anterior (legumes, feijão, couve) foi aquecido em uma panela com o com azeite extra-virgem, e depois fervido (ribollito) novamente, e é esse procedimento que diferencia esse prato de uma simples sopa de pão.

Pappardelle al ragu' di cinghiale (Pappardelle ao sugo de javali)


Pappardelle al ragu' di cinghiale é um saboroso e sucolento prato típico toscano. Trata-se de uma massa feita com sugo de carne de javali (você poderá encontrar a carne moída ou em pedaços maiores) é um dos pratos mais conhecidos da cozinha da Maremma.


Tortelli Mugellani


Os Tortelli Mugellani são uma massa típica do Mugello, cortados em quadrados (muito parecido com os ravioli), macia, amarelada, com um recheio de batata cozida, salsinha e queijo. Na receita tradicional, a massa é servida com molho de carne moída e queijo parmesão.

Pici all'aglione


O Pici all'aglione (Pici com alho) é uma receita típica da Toscana, em particular na área de Siena. Pici é uma espécie de espaguete rústico, grosso. O aglione é uma variedade típica de alho cultivado principalmente na Valdichiana e na Val d'Orcia. O aglione (como diz o nome alhão) tem tamanho extremamente generoso, mas um sabor delicado. Uma cabeça de alho pode pesar facilmente meio quilo.

Uma outra versão deliciosa do Pici é com pecorino, E se for amantegado na forma de pecorino, nem te conto!

Bistecca alla Fiorentina


Era por isso que você estava esperando! Afinal, ela é a rainha da cozinha toscana. A Bistecca alla Fiorentina é tão famosa que você não precisa nem dizer o nome completo. Simplesmente basta chegar no restaurante e pedir “una fiorentina” que todo mundo vai saber do que você está falando. Há duas características fundamentais para uma boa fiorentina: um excelente corte de carne, e um cozimento “ao sangue” (sim, ela não é mal passada, é viva!). Não caia na besteira de pedir pra cozinhar mais um pouco, porque ela fica dura! Uma vez eu pedi pra cozinhar mais um pouco e aí sem mais e nem menos veio o Chef e perguntou: “Quem pediu a fiorentina bem passada? Eu, toda envergonhada, levantei o dedo. O chef me olhou e disse: Bem se vê que você não é uma fiorentina.” Foi a primeira e a última vez que pedi a fiorentina bem passada. A preparação é muito simples, basta colocar o bife em uma grelha sobre carvões ardentes - 5 minutos para cada lado.

Cacciucco 


O Cacciucco é um prato feito a base de peixe e frutos do mar típico da Toscana – existem algumas variações, mas os principais são aqueles feitos em Viareggio e Livorno. É uma sopa de peixes, crustáceos, moluscos, polvos. Não é um prato muito fácil de fazer, porque os ingredientes são colocados para cozinhar na mesma panela mas com tempo diferente. O peixe é servido com pão torrado esfregado no alho e molho de tomate. O cacciucco é um prato complexo e rico de aromas. Sugiro como acompanhamento um vinho tinto, que tenha sabor persistente, boa salinidade e acidez e não muito alcolico. Um chianti seria o ideal, mas se você quiser beber com vinho branco, escolha um vermentino. 

Para os amantes dos vinhos toscanos: Quais são os melhores vinhos da Toscana?


Peposo all' impruneta


É um prato típico de Impruneta, uma cidade localizada nas colinas de Florença, mundialmente conhecida pela "terra de Impruneta" (argila contendo areia, carbonato de cálcio e óxido de ferro, que dá a cerâmica uma cor avermelhada) que é utilizada na produção de cerâmica, tijolos e outros materiais de terracota (terracota de Impruneta).

Foram os fornacini, empregados dos fornos de produção dos tijolos que criaram esta receita. Numa parte do forno, colocaram uma panela de barro com todos os ingredientes afogado no vinho (Chianti, por favor!); após 5 horas, o prato estava pronto.

Reza a lenda que na época de Brunelleschi, durante a construção da famosa cúpula da Catedral de Santa Maria del Fiore, que hoje conhecemos como o Duomo de Florença, os "fornacini" fizeram o uso excessivo deste prato. O resultado desta dieta foi extraordinário, especialmente para a Brunelleschi. O peposo é um prato a base de muscolo bovino cozido com o vinho Chianti e muita pimenta do reino (pepe, em italiano, daí a origem do nome peposo).


Lampredotto


O rei da comida de rua de Florença é o lampredotto, ou seja, um sanduíche feito com o abomaso (um dos quatro estomago dos bovinos). O lampredotto faz parte da cultura florentina graças aos diversos quiosques, chamados de lampredottai, espalhados pelas ruas da cidade. Este é um sanduíche pra quem é decidido, porque o lampredotto possui um sabor muito forte e pela minha experiência com brasileiros, não é todo mundo que gosta.

O meu marido é completamente maluco por esse prato! O lampredotto é cozido por um longo tempo na água, juntamente com outros ingredientes (tomate, cebola, salsa e aipo) e pode ser servido no sanduíche juntamente com salsa verde. Se o lampredotto te convencer, prove também a trippa alla fiorentina, que é um outro produto sempre presente nos quiosques de lampredottai.

Vin Santo com Cantucci


No último prato da nossa lista, não poderia faltar a sobremesa típica da Toscana: Vinsanto com cantucci! O cantucci é um biscoito seco, crocante, que você reconhece imediatamente pela forma alongada típica cortada na diagonal, amendoas e o tradicional perfume frutado. Diz a tradição que surge como uma evolução do biscoito Prato. Geralmente os cantucci são servidos com o Vin Santo, um vinho liquoroso local produzido com a utilização de uvas secas. Não esqueçam de ensopar os biscoitinhos no vinsanto. Delícia!

Falando em doces, não deixe de ler o post Doces de natal típicos da Toscana

Tem algum prato que você provou e gostou na Toscana e não está na minha lista? Conta pra gente!

Esse post faz parte da ação conjunta/blogagem coletiva  da RBBVPara conhecer outros posts sobre o tema GASTRONOMIA DA MINHA REGIÃO, visitem também os seguintes blogs:

domingo, 11 de dezembro de 2016

San Vivaldo, a Jerusalém da Toscana

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Algo que certamente ninguém imagina é fazer uma peregrinação à Terra Santa sem sair da Toscana. Sim, é possível!! Basta ir até San Vivaldo, a poucos quilômetros de Montaione. 

Imerso em uma grande e encantadora área arborizada, o "Boscotondo", encontraremos vinte e cinco pequenas capelas erguidas entre os anos de 1500 e 1515, por vontade dos frades franciscanos que alí se retiraram a procura de paz e tranquilidade.

As capelas foram construídas utlizando uma escala de reprodução reduzida dos lugares sagrados, e foram realizadas usando a mesma orientação astronômica de Jerusalém. Um lugar cheio de espiritualidade, arte e fé.

Dentro das capelas podemos admirar  umgrande número de grupos de estátuas feitas em terracota da escola de Della Robbia. Tais esculturas representam os momentos mais importantes da paixão de Jesus.


Graças a uma bula do Papa Leão X, que concedeu indulgência para aqueles que visitassem San Vivaldo, este Santuário rodeado pela natureza, tornou-se um destino de peregrinação substituto para todos aqueles que não podiam pagar a verdadeira viagem à Terra Santa.



A montanha sagrada de San Vivaldo é o ponto de partida para conhecer também as cidades de Montaione e Gambassi Terme. É uma grande chance para um passeio relaxante na zona rural da Toscana além de claro, descobrir as maravilhas dessa região italiana.

Informações úteis:
De 01 de abril até 31 de outubro as capelas de San Vivaldo são abertas da seguinte forma:de segunda à sabado das 15 às 19 horas, Domingos e feriados: das 10 às 19 horas.
De 01 de novembro a 31 de março: Todos os dias das 14 às 17 horas.
O bilhete de entrada custa 5 euros por pessoa e poderá ser comprado diretamente no local. Geralmente um frade franciscano acompanha o grupo.





domingo, 4 de dezembro de 2016

Mercadinhos de Natal na Toscana

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O Natal está se aproximando e os mercadinhos de Natal são uma grande atração em toda a Itália. A Toscana se prepara para um série de iniciativas e eventos que você não poderá perder, já que o Natal é uma data muito esperada, principalmente para os "pequenos".  

Como todos os anos, em diversas cidades da Toscana é possível visitar Casas de Papai Noel, pista de patinagem no gelo e mercadinhos de Natal com os famosos chalés de madeira que vendem produtos e enfeites típicos de natal além de guloseimas que derrubam qualquer dieta, como por exemplo biscoitos, tortas caseiras e muito chocolate. Não faltam também as bebidas quentes, como chás, vin brulè e o chocolate quente que esquentam o corpo e o coração de adultos e crianças. 

O Notícias da Bota escolheu os mais importantes mercadinhos, feiras e eventos de Natal da Toscana para você poder conhecer e se  divertir nesse finalzinho de ano.

Eventos e Mercadinhos de Natal na Toscana em 2016:


Il Villaggio Tirolese – Piazza Grande, Arezzo


Foto: Divulgação Oficial
De 25 de novembro a 26 de dezembro de 2016, a cidade de Arezzo hospeda na Piazza Grande, a segunda edição do Mercatino Tirolese. As características casas de madeira abrigam o maior número de operadores provenientes dos mais importantes mercados de Natal italianos e estrangeiros: produtos típicos do Tirol (Trento, Merano e Bolzano), mas também os operadores de Salzburg e Frankfurt.  

O mercadinho funciona todos os dias das 10 às 21 horas e nas sextas e sábados até às 22 horas. 



Chianciano Terme


Foto: Divulgação Oficial
A pequena cidade localizada no Provincia de Siena, famosa pelas suas termas oferece o mercadinho de Natal com chalés de madeira onde é possível comprar produtos artesanais, brinquedos, decoração de Natal, produtos locais.



Além do tradicional mercadinho de Natal, em Chianciano Terme você vai pode visitar a casa de Papai Noel com atrações e jogos para crianças, parque de diversões, pista de patinação e o trem turístico que percorre a cidade.

Quando: de 05 de novembro a 26 de dezembro de 2016,

Florença




Em Florença, os mercados de Natal são muitos e localizados em diversos pontos da cidade. Entre os mais famosos, o Mercado de Natal de Santa Croce de inspiração alemã (chamado de Weihnachtsmarkt). Aqui também, casas de madeira com produtos gourmet e artesanato.

Quando: de 30 de novembro a 18 de dezembro de 2016.
Onde: Piazza Santa Croce

Foto: Divulgação oficial

Ainda em Florença, de 21 a 23 de dezembro, no Teatro Obihall será realizada Florence Sensations Christmas Edition, exposição de Natal florentina dedicada aos produtos da Toscana

Montepulciano



A cidade pátria do vinho Nobile, localizada na Provincia de Siena é meta de viagem todo ano, mas no final do ano, Montepulciano é  belííssima pois hospeda o Mercadinho de  Natal: casas de madeira decoradas com motivos natalinos, artesanatos, produtos alimentícios, jogos de luz e muito mais.



Quando: 19 de novembro a 08 de janeiro de 2017.


Montecatini




Montecatini, famosa cidade toscana, hospeda um mercado de Natal com a Casa do Papai Noel, o Bosque dos Elfos, parque de diversões, mercado de Natal e uma pista de patinação no gelo. Diversão garantida para quem viaja com crianças.

Quando: de 05 de novembro a 06 de janeiro de 2017.

Esse post faz parte da ação conjunta/blogagem coletiva  da RBBVPara conhecer outros posts sobre o tema Mercadinho de Natal visitem os seguintes blogs:




domingo, 27 de novembro de 2016

Visitar San Quirico d'Orcia

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San Quirico d'Orcia é uma cidade localizada na província de Siena, provavelmente de origem etrusca. A importância estratégica desta pequena cidade cresceu gradualmente na Idade Média por causa da sua excelente posição geográfica e especialmente porque a cidade é literalmente cruzada pela importante Via Francigena. 

Para saber mais informações sobre a Via Francigena acesse o seguinte post: A Via Francigena e a peregrinação na Idade Media

Faz parte do território de San Quirico d'Orcia o famoso vilarejo termal  Bagno Vignon. Saiba mais sobre Bagno Vignoni e suas águas termais no post Bagno Vignoni e suas águas termais.




San Quirico d'Orcia pertence a uma região geografica chamada de Val d'Orcia (Vale do Rio Orcia), juntamente com as cidades de Pienza, Radicofani, Montalcino e Castiglione d'Orcia. O Val d'Orcia é também um importante parque natural, de arte e cultura.




Desde 02 de julho de 2004, o Val d'Orcia foi reconhecido pela UNESCO como Património Mundial, principalmente por causa da excelente conservação da sua paisagem (e que paisagem!) e por ser um produto do trabalho inteligente da atividade humana que não alterou a beleza natural da região.

Quem foi San Quirico?

São Quirico e sua mãe Giulitta (em português Ciríaco e Julita, conhecidos também como Ciro e Julieta), viviam em Icônio, atual Turquia durante o século VI. Giulitta foi perseguida pelos romanos durante as perseguições do Imperador Diocleciano. Existem diversas versões sobre o martírio de Quirico e Giulitta, vou contar para vocês a versão mais conhecida.


San Quirico e Santa Giulitta, manuscrito francês do século XIV - Foto: wikipédia
Guilitta era uma jovem viúva, de família importante e se converteu ao cristianismo. Temendo pela sua própria segurança e do seu filho Quirico que tinha apenas três anos, deixou os seus bens e a sua cidade natal. Foi capturada e torturada para que negasse a sua fé, mesmo assim, Giulitta resistiu e não negou o seu amor a Cristo. O pequeno Quirico que assistia a tortura da mãe, também confirmou a sua fé, exclamando "Eu também sou Cristão." Ao ouvir tais palavras, o governador teve um ataque de ira e jogou o pequeno Quirico no chão, que batendo a cabeça, acabou perdendo a vida. Giulitta continuou firme em posição de oração até que o governador decidiu que a sua pena seria a decapitação.

San Quirico e Santa Giulitta foram canonizados pela Igreja Católica e a sua festa é comemorada no dia 16 de Junho. San Quirico é o padroeiro das crianças que sofrem maus tratos. 

O que ver em San Quirico d'Orcia:



San Quirico é uma das mais belas cidades medievais do Val d'Orcia e é famosa também por causa da Festa dell'olio (Festa do Azeite) realizada no mês de dezembro.

No centro histórico você poderá admirar diversos monumentos e igrejas: 

Igreja de Santa Maria Assunta



A igreja de Santa Maria Assunta é conhecida por diversos nomes, entre eles igreja de Santa Maria, ou ainda como igreja de Santa Maria ad Hortis. Este último devido princialmente que próximo a igreja se encontra o jardim publico chamado Horti Leonini. O edifício, de arquitetura romanica, elegante mas sombria, possui somente uma nave e foi construido com pedras de travertino ao longo da Via Francigena na segunda metade do século XI. 

Horti Leonini



Construido em um terreno doado por Francesco I dei Medici a Diomede Leoni em 1581. O Horti Leonini, é um excelente exemplo de jardim a italiana e o seu acesso poderá ser feito através da praça principal da cidade.

Ospedalle Santa Maria della Scala




Construído em frente à igreja de Santa Maria Assunta, o Ospedalle Santa Maria della Scala oferecia assistência e abrigo aos peregrinos e viajantes da Via Francigena. O hospital, que pertencia ao mais famoso Ospedalle Santa Maria della Scala de Siena, foi construído no século XIII e atualmente conserva  um pátio, o qual pode ser visitado. No centro do pátio podemos admirar um poço que foi construído no século XVI.

Igreja de San Fracesco




Na praça principal da cidade encontramos a igreja de San Francesco, comumente chamada de Igreja de Nossa Senhora. A igreja sofreu diversas alterações ao longo dos séculos e no seu interior podemos admirar no altar principal a bela Madonna (Nossa Senhora) atribuída a Andrea della Robbia. Provavelmente a obra fazia parte de uma  Anunciação que se encontrava na igreja de Vitaleta, situada entre San Quirico e Pienza. 

Collegiata




A Igreja foi construída sobre uma Pieve (igreja rural típica da época medieval) da qual temos notícias desde o século VIII. A igreja possui três portais externos que são um magnífico exemplo da arquitetura românica, apesar de possuir em alguns elementos de estilo gótico. A torre do sino foi construída no final do século XVIII. 







Palazzo Chigi 




Ao lado da Collegiata na Via Dante Alighieri, se destaca a imensa massa do palácio Chigi construído na segunda metade do século XVII por vontade do cardeal Flavio Chigi. O palácio foi gravemente danificado durante a última guerra mundial.



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