San Gimignano - Toscana -

Foto: Roberto Maxwell

Piazza del Duomo sorge nel cuore del centro storico di Firenze

Foto: Cris Sinatti

Toscana:Postais e Pinocchio

Fotos Pinocchio: Roberto Maxwell - Foto postais: Cris Sinatti

Raccolta di olive 2010

Foto: Cris Sinatti

Santa Croce - Firenze

Foto by Roberto Maxwell

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Domeniche del Fiorentino 2012

Já falamos sobre esse assunto nesse post: La domenica del fiorentino. Um domingo ao mês o comune de Firenze abrirá as portas do Palazzo Vecchio gratuitamente com visitas guiadas e para todas as pessoas nascidas em Florença e também para aqueles residentes na cidade, inclusive aos estrangeiros. E para a nossa felicidade o comune de Firenze acabou de publicar o calendário de 2012:

Calendário 2012:
 
12 Fevereiro
11 Março
1   Abril
13 Maio
10 Junho
9   Setembro
14 Outubro
11 Novembro

Para entrar no Palazzo Vecchio gratuitamente é necessário apresentar a tessera "Un bacione a Firenze" que poderá ser retirada em uma das diversas sedes da URP. Confira o endereço clicando AQUI.

As visitas guiadas deverão ser agendadas e o programa das visitas guiadas estará disponivel uma semana antes do evento.

O agendamento da visita poderá ser feito através do telefone e e-mail abaixo:

Telefone das 9.30 as 17.00 horas:  +39 055 2768224 ou +39 055 2768558

Quem mora em Firenze não pode perder essa oportunidade. O Museu Bardini também está incluido e vale a pena uma visita!


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O oratorio dos Buonomini em Florença

Busto de Sat'Antonino
A história dos Buonomini (Bons Homens) nasce em Florença no ano de 1441 e continua ainda hoje, depois de 05 séculos e meio.

Cosimo Il Vecchio, pai da dinastia medicea, derrotava seus adversários políticos criando taxas e impostos insustentáveis, um método muito mais eficiente e moderno do que o método da eliminação física utilizada na época medieval.  E assim nasce uma categoria chamada "Poveri vergognosi" (pobres envergonhados, traduzindo ao pé da letra). Essa categoria era chamada de "vergognosi" porque eles eram comerciantes, artesões que já tiveram uma boa vida e que falidos, caíram em miséria e assim se envergonhavam de serem pobres e pedirem ajuda.

Do Convento de San Marco e da Ordem dos Domicanos veio Beato Angelico, o grande artista que sabia pintar as coisas do Espirito Santo e Santo Antonino, que sabia viver o Espirito Santo e que acima de tudo, fazia com que os outros vivessem de acordo com regras de Deus.

Santo Antonino, um pequeno grande frade, que hoje podemos admirar através do busto feito por Verrocchio, maestro de Leonardo da Vinci, que se encontra no Oratorio di San Martinho, sede dei Buonomini em Florença, fugiu para a Maremma, quando soube que o Papa queria ordená-lo Bispo, mas mesmo sem querer, ele teve que retornar e aceitar o cargo de Bispo de Florença. Ele não queria aceitar o cargo, não por medo, mas sim por humildade, pois não se achava digno de ser o Bispo de uma cidade tão importante como Florença. 

Esse pequeno frade iluminado, sabia como fazer pra recordar a misericórdia aos poderosos de Florença. Ele teve uma idéia simples e que foi muito importante durante todos esses séculos de história fiorentina. Ele chamou 12 cidadões, chamados de Buonomini e os fez procuradores dos "Poveri Vergognosi". Os 12 homens foram escolhidos entre as diversas classes sociais, da mais alta a mais baixa e deu a eles uma regra elementar: os "Buonomini" deviam recolher tudo o que podiam, e em seguida, distruibuir tudo no mais absoluto segredo, assistindo os pobres, vítimas da miséria e da própria dignidade, pois se fechavam no seu silêncio por causa da vergonha.

Pobres que ainda hoje, sentem vergonha de pedirem ajuda. Desde de 1441, através dos séculos, os Buonomini ajudam os poveri vergognosi em Florença. Todas as vezes que um dos Buonomini morre, a congregação pede inspiração ao Espirito Santo para eleger o novo membro e todas as vezes que a congregação está sem fundos, aparece uma oferta generosa, como que por encanto pois eles utilizam uma  técnica muito eficaz para recolherem fundos. Eles acendem uma vela na janela da sede na Piazza Dante Aligheiri - a voz dos Buonomini pedindo ajuda è representada pela chama da vela e os fiorentinos generosos correm para socorrê-los.

Toda sexta-feira, os 12 Buonomini se reunem para discutirem os novos casos e decidem através de votos quais serão as pessoas que receberão ajuda. O método de votação é muito curioso: eles utilizam caroços de feijão brancos e pretos. Os feijões pretos representam um voto positivo.

A história nos conta, que Cosimo Il Vecchio, se sentindo culpado por ter feito sua fortuna com cobranças de juros e empréstimos de dinheiro - lembrando que os Medici era uma familia de grande banqueiros e que naquele tempo era um pecado mortal emprestar dinheiro com juros - doou nada mais, nada menos que 40.000 fiorini, uma verdadeira fortuna, para a restauração do convento de San Marco. Além disso, os Medici sempre fizeram grandes doação de dinheiro para a congregação dos Buonomini, e ainda, eles fizeram leis especiais que consentiam anistia fiscal para as pessoas que faziam doações para os Buonomini. E é claro, alguns membros da familia Medici foram membros da congregação.

Na sede da congregação, ainda podemos ver hoje, um buraco na parede, uma espécie de caixa postal, onde as pessoas podiam depositar anonimamente a sua doação. Como eu disse antes, a sede da congregação fica na Piazzeta San Martino, próximo a Via Dante Aligheiri, exatamente em frente a Torre della Castagna, no centro histórico de Florença. Você pode visitar a sede gratuitamente e admirar o famoso busto de Santo Antonino feito pelo Verrocchio, maestro de Leonardo da Vinci e as belissimas paredes afrescadas pela botegga de Ghirlandaio, maestro de Michelangelo.

Decoração do Oratorio, sede da Congregação dos Buonomini:

Interno do oratorio
As dez lunetas do Oratorio são afrescadas com cenas da vida de San Matino, o padrono dos Buonomini. Os dois afrescos ao lado do Altar representam San Martino que cede o seu manto a um pobre e o Sonho de San Martino. Os afrescos possuem um grande valor sociológico e histórico, além de artístico pois representa com muito realismo a vida quotidiana da Florença no ano de 1400. Por exemplo, no primeiro afresco a esquerda depois da entrada, representa a cena da Visita aos enfermos, onde um homem leva um frango e uma garrafa de vinho a uma mulher que acabou de dar á luz. Veja abaixo:

Visita aos enfernos
A condição da ex-familia rica se percebe pela mobília da casa e da presença de uma serva que recebe a doação. Os Buonomini doam também ainda tecidos e fios para vestir o recém nascido.

Caridade: receber os pelegrinos

O sonho de San Matino: Jesus aparece vestindo o manto de San Martino
Caridade: Vestir quem está nu
Caridade: Visitar os presos

Caridade: Dar água a quem tem sede
Atividade civil: fazer o inventário de quem precisa
Atividade civil: registrar matrimonios
Caridade: sepultar os mortos

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Palazzo Vecchio e a sua história

Finalmente o segundo post da série "Desvendando o Palazzo Vecchio"! Hoje vamos falar um pouco da história desde Palacio que encanta todos os turistas que visitam a Piazza Signoria em Florença.

Quando chegamos a Piazza Signoria e observamos o palácio, a primeira visão que temos è de um enorme dado de pedra coroado por uma galeria da qual observamos uma enorme torre alta 95 metros. A parte externa do edifício conserva ainda o aspecto medieval de castelo fortificado, o que comprova a sua natureza defensiva.

A construção do Palácio é dadata no ano de 1299 e  acontece em um dos períodos mais conturbados e também mais importante da história de Florença. No século XIII a cidade conheceu uma extraordinária expansão politíca, econômica e demográfica e se afirmou o governo das "Arti" que eram uma espécie de corporações profissionais. Prometo escrever um post só para falar das  "Arti", que foi muito importante na história de Florença. 

O projeto do Palácio feito da Arnolfo de Cambio, arquiteto fiorentino responsável por outros projetos importantes como o Duomo e a Basilica de Santa Croce, era destinado a hospedar " i Priori delle Arti" (uma espécie de Presidente de cada corporação), ou seja a suprema magistratura que governava a cidade. 

Em 1302 o palácio já estava pronto, faltando ainda terminar a torre que foi completada nos anos seguintes. Se olharmos o Palazzo da Via della Nina o da Via dei Gondi, podemos notar todos os ampliamentos que foram feitos no decorrer dos séculos. 

A primeira modificação feita no Palazzo è datada no ano de 1342, quando o Gualtiere di Brienne, duque de Atena, decide construir uma nova ala fortificada a oeste do edifício original, construindo também uma escada secreta e a famosa porta que já falamos aqui no blog no post Uma porta secreta no Palazzo Vecchio.

No final do século XV foi construído o Salone de' Cinquecento que foi completamente transformado em 1565 por Giorgio Vasari. De fato, em 1540 Cosimo I se transferiu com toda a sua familia para o Palazzo Vecchio. Foi uma decisão extremamente significativa: transferindo a residência do Palazzo Medici na atual Via Cavour para o Palazzo Vecchio, sede do Governo e do poder da cidade, Cosimo demonstra ser o Principe absoluto e de encarnar o Estado, estabelecendo uma nova relação entre a história da cidade e a familia Medici.

Contemporaneamente ao transferimento da familia do duca, iniciaram importantes obras de requalificação do espaço interno do palácio, que compreenderam também a construção de novos ambientes que englobaram diversos edifícios medievais e estendeu o palácio até a Via dei Leoni.

Acima: Planta do projeto original de Arnolfo di Cambio: mais tarde o Palazzo foi ampliado até o número 4, atual Via della Ninna. Os números 1 e 3 correspondono a antiga Via di Bellanda e 2 e 4 a Via del Guardingo que foram englobadas pelo ampliamento do palazzo. Podemos ainda observar os traços dessas ruas nas atuais 04 portas de acesso do Palazzo Vecchio: a porta da Via dei Leoni corresponde ao número 4, a porta de acesso da Via della Ninna ao número 3, Via dei Gondi número 1 e aquela da Piazza della Signoria a qual atravessa o Cortile di Michelozzo no ponto 2.

 
Reconstrução da ampliação do Palazzo Vecchio, quando foi construído o Salone dei Cinquecento (C) realizado pelo arquiteto Simone del Pollaiolo, conhecido como Il Cronoca a pedido de Savonarola a partir do ano de 1496. 

 Acima: Reconstrução da fachada do Palazzo Vecchio na Via della Ninna, onde podemos observar a parte original do dado arnolfiano (1), um pedaço da muralha construída pelo Duque de Atena Gualtieri di Brienne onde podemos ver o grande portal e a sua esquerda a porta secreta. O pedaço de muralha ligava o Palazzo Vecchio ao Palazzo del Capitano del Popolo (3).
Acima: Reconstrução da muralha feita pelo Duque de Atena Gualtieri di Brienne e na parte interna a escada secreta. Na ilustração é representado o atual percurso da escada que Gualtieri realizou especialmente como acesso e via de fuga secreta do palazzo. Da pequena porta, subimos até o Mezzanino no terceiro andar. Hoje a escada secreta è visitável somente através da atividade Percosi Segreti, gestida pelo Museo dei Ragazzi do Palazzo Vecchio, ou seja, você deve chegar na bilheteria e solicitar especialmente essa visita.

Ilustrações: Museo dei Ragazzi

A gente vai continuar desvendando o Palazzo Vecchio nos próximos posts, fique com a gente!

Saiba mais sobre o Palazzo Vecchio: Desvendando o Palazzo Vecchio

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O coliseu, cenário de lutas e crueldade

O Coliseu sempre foi visto como um lugar repleto de espiritos e demônios, presenças inquietas devido ao grande número de homens que perderam seus vidas ali, durantes as grandes lutas dos gladiadores. Esta imponente estrutura atualmente é um dos grandes símbolos da cidade de Roma, além de ser uma das sete maravilhas do mundo, juntamente com o brasileirissímo Cristo Redentor.

Estamos no ano de 72 d.C e devido a expansão do Império Romano, o Imperador Flavio Vespasiano decide criar um anfiteatro digno da capital do Império, para hospedar as lutas dos gladiadores. Muita gente pensa que os jogos dos gladiadores nasceram com o Coliseu, mas isso não é verdade. As lutas nasceram muitos antes, exatamente no ano de 264 a.C., quando Decimo Giunio Bruto organizou a primeira luta em homenagem ao funeral do seu pai. A partir daquele momento, as lutas de gladiadores se expandiram entre os romanos. 

A construção do anfiteatro sobre o lago drenado "Domus Aurea" de Nerone, foi terminada num tempo record, exatamente no ano 80 d.C., sob o comando de Tito, filho do Imperador Vespasiano. E assim foi inaugurato o Anfieteatro Flavio (nome verdadeiro do Coliseu), com nada mais, nada menos, com 100 dias de festa e lutas.

Aqueles foram dias de pompa e de glória, sangue e crueldade. Durante séculos as paredes do Coliseu viram gladiadores lutando, escravos e mártires cristãos, animais sendo protagonistas de um espetáculo terrível e fascinante, com direito a cenários e "efeitos especiais" impressionantes. Durante a cerimônia de abertura foi realizada uma simulada batalha naval.  

O Coliseu era de fato uma obra-prima da engenharia e da arquitetura, tanto que ainda hoje, mesmo estando um pouco maltratado, podemos admirar a sua imponência na capital italiana. Menos mal que ainda podemos vê-lo porque um dos mitos mais difundido no mundo diz que enquanto o Coliseu existir, existirá Roma e o mundo inteiro. Essa profecia foi escrita por volta do século VIII pelo monge beneditino Beda conhecido como “il Venerabile”.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Desvendando o Palazzo Vecchio

Esse será o primeiro post de uma série que tem como objetivo desvendar de verdade o Palazzo Vecchio de Florença. Por incrível que pareça, não existe um livro de guia na nossa lingua e sem conhecer a história do Palazzo fica quase impossível compreender a sua grandeza.

Introdução: O Palazzo Vecchio e a cidade

O Palazzo Vecchio em Florença é um edifício complexo, construído em sete séculos, durante os quais ele sempre manteve a sua função original de sede politíca e administrativa e acima de tudo, o símbolo da cidade.

Hoje, o Palazzo representa um dos museus mais importantes de Florença e infelizmente nem todo mundo sabe disso. Muitos turistas e até fiorentinos, pensam que o edifício é somente sede administrativa da cidade e nunca fizeram uma visita no museu, local onde encontra obras primas de Vasari, de Michelangelo, Bronzino, Ghirlandaio, Donatello, entre outros. 

O Palazzo Vecchio não é só um museu, é um lugar que pelo seu significado simbólico continua sendo utilizado e vivido na arquitetura, na pintura, nas obras que ali se encontram que se confundem com a história de Florença. 

Construído no final do século XIII para hospedar o Governo da Cidade, o Palazzo foi transformado em Palazzo Ducale em meados de 1500 e é mais tarde chamado de "Vecchio" (velho) após o transferimento da familia Medici para o Palazzo Pitti. Na época dos Lorenas, o Palazzo è a sede da Magistratura e depois da unitá da Italia no final do século XIX o Palazzo se transforma em sede do Parlamento Italiano. Somente no ano de 1872, o Palazzo hospeda o sindaco (prefeito) e è a sede administrativa da cidade.

A visita no Museu do Palazzo Vecchio è composta de ambientes enormes ou muito pequenos: o Quartieri de Leone X, Quartieri degli Elementi, Quartieri de Eleonora,Salone dei Cinquecento, Sala dell' Udienza, Sala dei Gigli, Sala delle carte geografiche, caracterizados pela riqueza material e histórica. O percurso consente de refazer as etapas principais da história de Florença, através dos traços que foram deixados na estrutura arquitetônica e na decoração do Palazzo.

O momento que mais podemos admirar e acima de tudo reviver no Palazzo são os anos que aconteceram entre 1565 e 1575, quando por vontade de Cosimo I de' Medici, o arquiteto e pintor Georgio Vasari transformou o antigo palazzo dei Priori em Palazzo Ducale, criando uma obra grandiosa, uma obra prima da arquitetura e do renascimento italiano.

Fique com a gente, vamos desvendar juntos o Palazzo Vecchio: aguardem os próximos posts!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Adoração dos pastores de Ghirlandaio

Clique na foto para aumentar
Hoje, 25 de dezembro: Cristo já nasceu ! Para comemorar essa data tão importante, escolhi como tema do post de hoje, uma pintura muito significativa, que para mim, è uma das mais belas quando o tema é o nascimento do Salvador.  

Trata-se de uma obra de Domenico Ghirlandaio que foi Maestro de Michelangelo quando ele tinha apenas 13 anos de idade e que está localizada em uma das capelas (Cappella Sassetti) da Igreja Santa Trinita em Florença. É uma "pala" de altar datada de 1485 que tem como tema a Adoração dos Pastores.
Descrição da Obra:

Em primeiro plano vemos Maria num prato florido e que adora o Menino Jesus que está deitado sobre o seu manto na sombra de um sarcofago romano antigo que serve de manjedoura para o boi e o burro que segundo alguns históricos de arte representam o povo judeu e o povo pagão, respectivamente. Um pouco atrás de Maria encontramos São José que olha o cortejo que está chegando e a esquerda encontramos um grupo de três pastores que foram representados com muito realismo, provavelmente inspirado nos patores do Trittico Portinari de Hugo van der Goes. O primo Pastor, aquele que indica o Menino Jesus, Ghirlandaio desenhou o seu auto-retrato.

Cappella Sassetti
Atrás de Maria vemos alguns utensílios, como a cela de cavalo, necessários para a viagem de Maria e José. As três pedras, (um pedaço de pedra natural, uma pedra trabalhada e um tijolo) que encontramos próximo é representa a familia Sassetti, que financiou a obra e representa também a atividade humana. Sasso em italiano, significa pedra. Em cima de uma das pedras, encontramos um "cardellino", em português um passsarinho chamado pintassilgo, símbolo da paixão e da  ressurreição de Cristo.

Ao fundo, vemos o Arco do Triunfo por onde passa a procissão dos Reis Magos, com significado simbólico, representando que a era pagã pertence ao passado e que o presente e o futuro está no nascimento na nova era, o Cristianismo

À esquerda vemos os dois primeiros magos que já estão perto e olham uma luz (cometa) que brilha no telhado de palha suportado por pilares de monumentos romanos, um dos quais tem a data na MCCCCLXXXV (1485), data que foi feita a obra.
No fundo podemos ver os pastores com seus rebanhos para os quais o anjo anuncia o nascimento do Senhor. 

Podemos ver ainda ao fundo, a paisagem com colinas, tipica da Toscana.
Quem quiser visitar a Cappella Sassetti na Igreja Santa Trinita em Florença e conhecer de perto a obra de Ghirlandaio a entrada è franca.  

Abbazia di Santa Trinità Piazza Santa Trinita', 3 Firenze 
Telefone: 055 216912

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

San Nicola e a origem do Papai Noel

Nesta época ele está por todo lado: na TV, nas decorações dos Shoppings, nas vitrines das lojas, pendurados nas varandas das casas e sobretudo, ele está nas fantasias e nos corações das nossas crianças. Mas quem é esse velhinho rechonchudo vestido de vermelho que presenteia adultos e crianças desde do século VI d.C.? Ele existe? Ele existiu algum dia ou é apenas um personagem inventado (dizem) pela Coca-Cola?

Ele existiu sim...Não como o nome e Papai Noel e da forma que a gente conhece desde de criança. Ele se chamava Nicola em italiano e em português São Nicolau, (daí a origem do nome Santa Claus nos EUA), nasceu na segunda metade do século III d.C., numa cidade chamada Patara na Licia, que atualmente é a Turquia. Pela estima que tinha do povo e do clero foi proclamado Bispo de Myra, uma cidadezinha no litoral de Licia.

Sua vida de sacerdote foi marcada pela caridade, e alguns historiadores dizem que ele participou do Concílio de Nicea no ano de 325, onde condenou a heresia ariana - um sacerdote de Alexandria, no Egito, Ario (250-336), começou a difundir uma heresia negando que as três Pessoas da Santíssima Trindade são absolutamente iguais quanto à natureza e coeternas. Alguns anos mais tarde, Nicola morreu, no dia 06 de dezembro. Antes da sua morte, Nicola já era considerado Santo e assim, depois da sua morte, começaram as peregrinações dos fiéis a sua tumba na cidade de Myra.

Como eu já disse anteriormente, a vida de San Nicola foi marcada pela caridade, principalmente com crianças e adolescentes. Naquela época a expectiva de vida das pessoas era pequena e assim, era muito comum que as pessoas se casavam jovens, com 13, 14 anos. E além das pessoas casarem jovens, as mulheres teriam que oferecerem dotes aos maridos para se casarem. E quem era pobre e não tinha como pagar o dote? Simplesmente não casavam e provavelmente viravam prostitutas.  

Diz a lenda, que um pai tinha 03 filhas que estavam na idade de contrair matrimônio, mas eles eram muitos pobres e não tinham o dote para oferecer. Esse pai, então decidiu de mandar as três adolescentes para a protituição. Quando San Nicola soube, ele foi ao encontro das meninas e deu a cada uma, um saco com moedas de ouro como dote, salvando assim a honra das meninas. E assim deu origem a lenda de presentear de San Nicola.

O Santo é conhecido na Italia como San Nicola di Bari. Mas se eu disse que San Nicola nasceu e viveu na atual Turquia e como é que San Nicola de Myrna se transforma em San Nicola di Bari? Simples assim: como o culto do Santo era muito grande com diversas peligranações a sua tumba que estava localizada em Myra, depois que a Turquia foi invadida e conquistada pelos muçulmanos, 62 marinheiros da cidade de Bari desembarcaram na Turquia e foram até sepulcro do Santo onde "resgataram" os restos mortais do Santo. No dia 09 de maio de 1087 os marinheiros retornam a Bari triunfante com os restos mortais do Santo. E assim, Bari ganha um padroeiro e o Santo fica conhecido como San Nicola di Bari, sem ter ao menos visitado a cidade uma única vez- pelo menos em vida.

San Nicola è representado na arte em diversas formas, mas sempre vestido de bispo. Algumas imagens ele aparece com a pele mais escura, que provavelmente é a mais correta já que ele era turco. A representação do Bom Velhinho com a pele branquinha è totalmente ocidental. Em vez do saco de presentes, San Nicola è sempre representado com o saco de moedas, ou então com três bolas de ouro nas mãos. San Nicola também pode ser representado com 03 crianças, que diz a lenda que foram ressucistadas por ele.

Termino o post, desejando a todos um Feliz Natal, repleto de luz, saúde e felicidades!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Florença: os afrescos da Capella Maggiore de Santa Croce

Pra você que está chegando em Florença eis uma dica de visita que você não vai encontrar em nenhum dos tantos livros de guias da cidade: mais do que visitar, conhecer os afrescos de pertinho da Cappella Maggiore da Basilica Santa Croce feito por Agnolo Gaddi.

Pela primeira vez a "Lenda da verdadeira cruz", a obra-prima do século XIV de Agnolo Gaddi, que decora a capela Maior da Basílica de Santa Croce em Florença pode ser visto bem de pertinho subindo nos andaimes que os restauradores utilizaram para realizar a delicada tarefa de recuperação nos 850 metros quadrados de afrescos. Os visitantes podem admirar a extraordinária beleza das pinturas, personagens, cenas e rostos que o artista - filho de Taddeo Gaddi, um dos grandes discípulos de Giotto, a partir de uma distância de poucos centímetros.

A história do restauro teve início no Japão no ano de 2002 com a transmissão de um documentário feito por Takaharu Miyashita, docente de História da Arte na Universidade de Kanazawa que ilustrava obras e artistas italianos e especialmente os afrescos medievais e do renascimento, explicando inclusive a técnica utilizada nos restauros. Após assistir o documentário, um rico homem de negócios japonês chamado Tetsuya Kuroda entrou em contato com o Professor oferecendo uma considerável soma de dinheiro para restaurar um ciclo de pintura toscana, mais especialmente fiorentina. A escolha da obra a ser restaurada e o contato com o mundo italiano foi feito pelo Professor Miyashita.

A Rainha de Sabá
Santa Helena
O Professor entrou em contato com o Opificio delle Pietre Dure (que é dos maiores órgãos responsável pela restauração das grande obras em Florença) e juntos pesquisaram o local que seria restaurado, seguindo sempre as regras do Sr. Kuroda: uma pintura fiorentina de época medieval ou do renascimento.

Depois de algumas pesquisas eles chegaram a conclusão que a Capela Maior da Basílica de Santa Croce em Florença mostrava grandes sinais de degração e que a obra de Gaddi correspondia as exigências do Sr. Kuroda. E assim, no ano de 2004 eles assinaram o contrato e em 2005 foi iniciada a restauração da capela que foi finalizada em outubro de 2010. Só para matar a curiosidade de vocês, o Sr. Kuroda doou nada mais, nada menos que 150 milhões de yen que na época era equivalente a 1.130.000 de euros e o Ministério da Cultura italiana completou a soma com 285 mil euros.

O ciclo de afrescos mostrava uma avançada condição de degradação. Sujos e ameaçados pelas condições climáticas que não era ideal devido a diversas infiltrações de água e rachaduras, a camada pictórica foi atacada pelos chamados "fumigação", que modificou a estrutura química e a cor do afresco. Com a restauração foram feitas diversas limpezas a laser e foram utilizados diversos processos químicos para deter o avanço de sulfato de cálcio, enfim, foi uma restaução de limpeza e conservação dos afrescos.

Com 30 metros de altura e 10 de largura, a superfície pintada é aproximadamente de 850m2. O ciclo de afresco é uma verdadeira caça ao tesouro (a madeira que foi construída a cruz de Cristo) e também é uma homenagem a Giotto com o seu provável retrato, onde também encontramos o retrato dos membros da familia Alberti que financiou a obra e os primeiros franciscanos de Santa Croce.

O tema do ciclo de afresco é Lenda da Verdadeira Cruz que reúne várias histórias relacionadas com a tradição medieval da origem da madeira sobre a qual Cristo foi crucificado e os eventos de sua descoberta milagrosa por Santa Helena. A melhor versão conhecida desta história e que é inspirada na obra do pintor, é a da Legenda Aurea de Jacobo da Voragine, uma obra composta no século XIII.
Os andaimes de Santa Croce
Dividida em duas paredes, a lenda da Verdadeira Cruz de Agnolo Gaddi segue uma narrativa de imagens repleta de personagens e "fatos". De uma maneira um pouco grosseira, posso definir o ciclo de affresco como uma verdadeira revista em quadrinhos, onde as palavras são desnecessárias. Naquele tempo, a maioria do povo era analfabeto e era imprecindível utilizar os afrescos para doutrinar e por esse motivo as imagens tinham que ser particularmente sensíveis.

Para visitar a Basilica e o Museu de Santa Croce o preço è 5 euros, mas se você quiser visitar os afrescos da Cappella Maggiore percorrendo os andaimes com um guia (lingua italiana) o preço é 10 euros. Eu acho que vale super a pena, não só para conhecer os afrescos, mas para ver bem de pertinho como é feita a restauração.

A visita dura em média 40 minutos e deve ser agendada antes através dos seguintes contatos:
Telefone: 055 2466105 e digitar o número 3 (Segunda a sexta-feira das 09.30 ás 17.00)
Clique AQUI para assistir um video muito interessante qu explica de uma forma muito simples como foi feito o restauro dos afrescos.

O provável retrato de Giotto

Membros da familia Alberti
O israelitas encontram a madeira que foi enterrada pelo Rei Salomão e constroem a cruz de Cristo
Santa Helena encontra a cruz de Cristo e a dos ladrões

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Valdarno por trás do sorriso da Monalisa

Monalisa Gherardini, a mulher que foi retratada na famosa pintura de Leonardo Da Vinci, conhecida aqui na Italia como Gioconda. Uma imagem cheia de mistérios, que também esconde um segredo desconhecido para a maioria dos italianos.
 
A Monalisa
 
Ainda está lá, sob os olhos de todos e ninguém parece ver. Sim, a Toscana está lá, mais precisamente uma zona da Toscana chamada Valdarno está retratada na pintura mais famosa da história. Talvez todos observam cuidadosamente o misterioso e penetrante olhar de Lisa Gherardini ou talvez todos se perguntam se essa mulher não é realmente o próprio Leonardo, amante de piadas, charadas e segredos, que talvez tenha escondido a sua imagem
atrás do sorriso irônico da Monalisa.  

Vista de "Le Balze"
É verdade, cada palavra, cada frase, cada descrição já foram gastas com esta pintura que hoje se encontra  no Louvre, em Paris, mas ainda parece existir aqueles que fingem não ver, não entender. Como é que ninguém divulga que a paissagem, as montanhas, a ponte que aparece no fundo da pintura mais famosa da história, paisagem essas que encantou o Mestre dos Mestres, e que por incrível que pareça não consta nos roteiros turísticos da Toscana? E fica aqui pertinho, há poucos quilometros de Florença, mais precisamente entre as cidades de Florença e Arezzo.

Le Balze
Não é necessário ser um "esperto" de arte e nem tampouco muito esforço para reconhecer a paissagem toscana. Basta olhar para a pintura bem que você reconhecerá. Se você olhar para a Monalisa, à sua direita você verá algumas montanhas de argila chamadas de "Le Balze" que foram formadas por várias erosões no decorrer dos séculos. De grosso modo, posso comparar pelo menos visualmente (não sei se estou dizendo uma bobagem) esses montes com os montes de Morro Branco no Ceará - é claro que não encontramos a varidades de cores no "Le Balze".

No lado esquerdo da pintura, aparece claramente, de forma evidente a maravilhosa ponte feita de sete arcos, de estilo romano chamada Ponte a Buriano, que abre as suas portas para aqueles que vieram de Arezzo para o Valdarno. Os pesquisadores foram capazes de localizar esta paisagem famosa através do desenho de Leonardo da Vinci no Val di Chiana. A reconstrução da perspectiva aérea digital do volume da altura da ponte e as montanhas circundantes permitiram definir o ponto de observação que foi localizado no castelo de Quarata (Buriano aldeia perto da ponte).

Ponte a Buriano - Arezzo
 Leonardo conhecia bem essa zona da Toscana, pois ele tinha estudado minuciosamente esta área, como comprova um desenho feito por ele datado entre 1502 e 1503, que descreve a bacia hidrográfica do Val di Chiana (desenho que agora é conservado na Biblioteca Real de Windsor), que também vê a ponte Buriano, e prova que Leonardo tinha em mente a geografia desses lugares.
Ponte a Buriano

Atualmente Le Balze são visitadas principalmente no verão, graças a cooperação entre as prefeituras das cidades de Terranuova, Castelfranco di Sopra e Pian di Scò e algumas associações locais.

Enfim, para quem vai passar mais tempo pela Toscana, procure, pesquise. Existem tantos locais com belezas naturais, pequenas cidades, borgos medievais que não constam no itinerário turisticos da Toscana. Na Toscana não existe só Florença, Siena, Pisa, Arezzo, Val d'Orcia. Existe também o Valdarno, com sua cultura, seu folclore, sua gente.


Abaixo, compartilho um video muito interessante sobre a paisagem e a Monalisa:






sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Os primeiros cristãos de Florença

Andrea di Bonaiuto, La Chiesa militante e trionfante

Continuando com o 3o. post da série Desvendando Florença: já falamos da fundação de Florença, da sua origem romana e hoje vamos falar exatamente da chegada dos primeiros cristãos e da construção dos primeiros edifícios religiosos. Já falamos anteriormente que na região de Oltrarno residiam os primeiros mercantes orientais e gregos e foram exatamente eles que trouxeram para Florença a fé cristã.

O primeiro mártir: San Miniato
A lenda do primeiro mártir cristão fiorentino aconteceu no ano de 250 d.C. com San Miniato que foi perseguido e morto por ordens do Imperador Romano Decio. Foi San Miniato que deu origem a fundação de uma das igrejas mais antiga e importante de Florença: a Igreja de San Miniato al Monte, que está localizada próxima a famosa Piazzale Micheangelo. 

San Miniato al Monte
Estamos na época em que os cristãos eram perseguidos pelo Imperador Romano e Miniato era um cristão de ascendência armênia que foi decapitado fora dos muros de Florença (na Porta alla Croce atual Piazza Beccaria) por professar a sua fé. A lenda diz que depois de ser decapitado, San Miniato levantou, pegou a sua cabeça, atravessou o Rio Arno e subiu até a colina onde foi enterrado e que mais tarde foi construída uma igreja dedicada ao Santo: a Basilica de San Miniato al Monte.

 A Basilica de San Miniato al Monte
O registro mais antigo da igreja de San Miniato remonta a 783 d.C. No século XI o bispo Ildebrando começou a construir a igreja atual que durou mais de 200 anos, no local nasceu uma comunidade de monges beneditinos, que mais tarde deu origem ao convento. Sobre San Miniato al Monte, eu deixo para outro post, pois se trata de uma belissima igreja que merece um post detalhado só pra ela, mas adianto que é um dos maiores e poucos exemplos de construção de estilo romano em Florença, depois do Batistério de San Giovanni.

O primeiro Bispo e as primeiras Igrejas:
O primeiro bispo documentado de Florença foi San Felice e isso aconteceu na época de Costantino no início do século IV e as primeiras igrejas construídas em Florença surgiram fora dos muros da cidade: Santa Felicita (Oltrarno - Século IV) e San Lorenzo, fundada e consagrada por Santo Ambrógio, Bispo de Milão no ano de 393. Santo Ambrógio deu nome nome ao famoso mercado que existe ainda hoje em torno a Basilica de San Lorenzo.

San Zanobi
O primeiro Santo Fiorentino
O primeiro Santo verdadeiramente fiorentino foi San Zanobi que foi bispo da cidade no ano de 405, quando o Império Romano do Ocidente se encontrava em declínio. San Zanobi se transformou no protagonista quando defendeu a cidade das invasões bárbaras. A cidade resistiu e se salvou quando chegou as tropas do Imperador Romano. Se diz que o ato heróico de San Zanobi, aproximou a maior parte dos fiorentinos à fé cristã.
 
A primeira Catedral:
A primeira catedral construída dentro dos muros da cidade aconteceu no século V com a fundação da Catedral de Santa Reparata, que foi construída onde hoje se localiza a atual Catedral Santa Maria del Fiore, conhecida como Duomo de Florença.

Santa Reparata
E quem foi Santa Reparata? Não, ela não era fiorentina, muito menos italiana. Santa Reparata foi uma jovem mártir da Palestina que viveu no século III e que como San Miniato foi perseguida e morta pelo Imperador Decio entre os anos de 249 e 251. E por que colocaram o nome da nova catedral de Florença de Santa Reparata? 

O fato é bastante curioso: Quando San Zanobi defendeu Florença das invasões bárbaras, ele rezou e pedindo a interferência de Santa Reparata, que naquela época era bastante adorada na Europa, principalmente na França - Santa Reparata é a padroeira da cidade de Nice, na França. Era 08 de outubro de 406, dia que Florença venceu os bárbaros e dia do culto de Santa Reparata. Diz a lenda, que depois da vitória fiorentina, o povo viu Santa Reparata voar pela cidade juntamente com a bandeira de Florença. Se a lenda é verdadeira, eu não sei dizer, provavelmente não, mas que ela é digna de um belo filme de fantasia, ahhh é sim! Dessa forma, Florença construiu e dedicou a catedral a Santa Reparata, como forma de agradecimento pela vitória contra os bárbaros.

Voltaremos a falar da Catedral de Santa Reparata na série Desvendando o Duomo de Florença. Fique com a gente!

Veja o que já foi desvendado da cidade de Florença:

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